QUARTA CARTA CIRCULAR

DO PRESIDENTE DA COMISSÃO LITÚRGICA

DA ORDEM CISTERCIENSE

PARA O TEMPO DO ADVENTO E DO NATAL

2004/2005

 

P A Z

 

Queridos irmãos e irmãs,

 

 

ECCE, ADVENIT DOMINATOR DOMINUS!”

Olha, eis que vem o Senhor dos Senhores!

Em sua mão está o poder e o reino.

(cf. Ml 3,11; lCr 19,12)

 

Com o começo de um novo Ano Eclesiástico e do Advento, entramos, uma vez mais, no mistério da vinda perpétua do Senhor (Jean Danielou). Este santo padre de nossa Ordem, São Bernardo de Claraval (+1153), reveste de importância a história da teologia ocidental por sua doutrina do tríplice Advento do Senhor, quer dizer da tríplice vinda de Jesus Cristo, que ele mesmo expôs, principalmente, em seus sermões do Advento. “Na primeira vinda (Adventus) – disse São Bernardo – foi Cristo visto na terra e habitou entre os homens. Então, como ele mesmo disse Lhe viram e Lhe odiaram (Jo 15,24). Na última vinda, sem dúvida, “revelar-se-á a glória do Senhor e vê-la-ão todos os homens juntos” (Is 40,5; Lc 3,6), “e verão Aquele que transpassaram” (Jo 19, 37). A terceira vinda está oculta. Nela só Lhe vêem os escolhidos em si mesmo, e suas almas serão salvas. Na primeira vinda, pois, veio na carne e na debilidade; nesta segunda, vem em espírito e em força; e na última virá em glória e majestade”(Quinto Sermão do Advento, 1). Desde a sua aparição, entre os séculos IV e VI, como mais longo período de preparação para as principais festas da Natividade (Natal e Epifania), dois tem sido sempre os pontos de referência do Advento:

a) a primeira vinda de Jesus Cristo na Encarnação,

b) a última (segunda) vinda de Cristo ao final dos tempos (Parusia).

Por isso, no Missal Romano as “As Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário”(=NALC, 1969) descrevem o significado do Advento como segue: “O tempo do Advento é, de um lado, um tempo de preparação para as principais festas da Natividade, ao recordar a primeira vinda do Filho do Homem e sua permanência entre os homens. De outro lado o tempo do Advento, através desta mesma recordação, situa de uma vez os corações na espera da segunda vinda de Cristo ao final dos tempos. Destes dois pontos de vista, o tempo do Advento é um tempo de espera alegre e ardorosa” (número 39). O admirável é que São Bernardo fale também de um terceiro Advento ou de um Advento intermédio, e este é justamente o que tem grande importância para a nossa vida monástica e litúrgica.Com ele, o santo padre de nossa Ordem se refere à vinda (diária) do Senhor em nossos corações (por exemplo, na Sagrada Eucaristia), ao estabelecimento de Cristo em nosso interior (inhabitatio) ou, como diziam os Padres da Igreja sobre a Natividade, “Deus nasceu em nossos corações”. “Da mesma forma que veio uma vez visivelmente em carne para realizar a salvação no meio do mundo”, explica São Bernardo, “assim vem Ele todos os dias em espírito e invisivelmente, para salvar todas as almas (Primeiro Sermão do Advento, 10) ... Ouvi o que Deus mesmo diz sobre esta vinda, que é espiritual e oculta: “Aquele que me ama guardará a minha palavra, meu Pai o amará e nós dois viremos a ele e nele estabeleceremos a nossa morada” (Jo 14,23). Bem-aventurado aquele com quem Tu queiras morar, Senhor Jesus!” (Terceiro Sermão do Advento, 4). A vinda intermédia do Senhor é o caminho que se estende desde a primeira (a Encarnação) à última vinda de Cristo (a Parusia) e, portanto, o significado espiritual mais profundo do tempo do Advento em que agora começamos.

 

[Sobre o Advento intermédio na doutrina de São Bernardo existe um interessante estudo italiano: Cláudio Stercal, Il Medius Adventus. Saggio di lettura degli scritti di Bernardo di Clairvaux, Roma : Editiones Cistercienses 1992 (=Bibliotheca Cisterciensis 9)].

 

 

O TEMPO DO ADVENTO

 

 

Em minha primeira carta circular do Advento de 2002, apontei já, a modo de introdução litúrgico-espiritual, algumas coisas sobre este tempo, detendo-me sobretudo em certos usos e costumes dele característico, como a coroa do Advento, as Missas “Rorate coeli desuper”, as antífonas do “Ó” e a antífona “Alma Redemptoris Mater”. Nesta ocasião, ser-me-ia agradável também chamar a atenção sobre outros aspectos.

O Advento começa com as primeiras vésperas do primeiro Domingo do Advento e termina antes das primeiras vésperas do Natal (cf. NALC, nº 40). Suas duas características: recordação da encarnação e espera da Parusia do Cristo, que vem, tornou-se ainda mais evidente desde a reforma litúrgica posterior ao Concílio Vaticano II, especialmente nas leituras bíblicas da celebração da Eucaristia e da Liturgia das Horas. De todos os Domingos e dias festivos, em todas as orações diárias e ainda nos maravilhosos prefácios do Advento. Disso resulta que os textos bíblicos e litúrgicos, próprios do Advento, sugerem que, na medida do possível, a celebração deste tempo tem que ter prioridade sobre as festas dos santos que, em segundo caso, só podem ser celebradas a título de comemoração. Seja como for, os formulários do Advento têm primazia absoluta nos dias privilegiados, que vão desde 17 a 24 de dezembro (cf. NALC, nº 16b). Segundo a organização litúrgica, não há inconveniente em que se celebrem Missas e ofícios das festas e memórias dos santos durante os dias da semana até o 16 de dezembro; sendo dúvida, Missas votivas e Missas por motivos especiais só poderão celebrar-se em casos excepcionais. No Advento, os dias da semana, já citada, de 17 a 24 de dezembro, tem ocupado, sempre um lugar especial, “por estar imediatamente ordenados à preparação do Natal” (cf. NALC nº 42). Estes dias se distinguem acima de todos pelas solenes antífonas do “Ó”, cujo texto também está previsto, desde a reforma litúrgica para o aleluia da celebração da Missa. Teologica e espiritualmente reveste-se de importância, em particular, a ordem das perícopes desta “Novena de Natal”, lendo-se da Bíblia as passagens mais importantes, dispostas em seqüência cronológica, conduzem, em certo modo, diretamente, as realizações do Natal.

Como tempo de preparação para as grandes festas natalinas é claro que o Advento tem, desde sua origem, um caráter penitencial. Sem dúvida, a diferença do tempo da Quaresma, o tempo do Advento contém um clima de “espera abrasadora e alegre”. (cf. NALC, nº 39). Por este tempo, fez-se necessária a terceira edição do “Missal Romano”, no ano de 2002, as instruções sobre o uso do órgão e outros instrumentos musicais e de decoração com flores se tem modificado e “suavizado”. As indicações oficiais dizem agora o seguinte: “o emprego do órgão e de outros instrumentos musicais,assim como a decoração com flores, serão, conforme a idiossincrasia deste período, moderados, para não adiantar-se à alegria plena da celebração do nascimento do Senhor” (cf. Diretório da nossa Ordem 2004/2005, pág. 20). O que até agora só era possível no terceiro Domingo do Advento, o “Gaudete”, se prolonga agora a todo o tempo do Advento, ainda que com uma certa moderação.

 

A grande festa da Imaculada Conceição da Virgem Maria

 

A festa da Imaculada Conceição da Virgem Maria do dia 8 de dezembro, a qual também se chama a grande festa da “eleição de Maria”, encaixa-se completamente em todo o transcurso do Advento, apesar de se tratar de uma nova festa. Maria é, com efeito, tal e como a chamaram e a seguem chamando tanto na teologia oriental como na ocidental, “a aurora da salvação”, e assim nós a cantamos também na Liturgia das Horas. Sua Imaculada Conceição no seio de sua mãe, Sant'Ana, assinala o começo imediato da história da salvação em Jesus Cristo. Este ano comemoramos o sesquicentenário da elevação a dogma deste mistério de fé pelo Santo Padre Pio IX (+ 1878) o dia 8 de dezembro de 1854 na Bula “Innefabilis Deus”. Além disso, há também que ressaltar que a Liturgia das Horas romana tem, desde a reforma litúrgica, seus próprios hinos para Vésperas, Vigílias e Laudes, e nela não contém o hino “Ave, maris stella”, que carece de referência direta ao mistério celebrado. Estes novos hinos (com melodias) encontram-se, por exemplo, no “Hinário de Heiligenkreuz”.

 

 

O TEMPO DO NATAL

 

 

A festa do Natal, denominada na liturgia como a “Natividade do Senhor” ou “Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo” - quer dizer, a “festa do nascimento do Senhor” - está junto com a grande festa da Epifania, a meta desse inteiro período de preparação, que é o Advento. Como se sabe, a festa do 25 de dezembro tem uma estreita relação com o solstício de inverno (para a Europa) e a festividade pagã do “sol invicto” (Natalis Solis invicti), cuja luz sai vitoriosa da ameaça das trevas. Os cristãos sabiam completamente o que estavam fazendo quando situaram o nascimento do Senhor Jesus Cristo, cuja vinda havia sido já anunciada pelo profeta Malaquias como o “aparecimento do Sol da Justiça”(Ml 3,20), na festa do solstício invernal. Cristo mesmo disse de si: “Eu sou da luz do mundo”(Jo 8,12). Também no Evangelho do dia de Natal, no Prólogo de João está o discurso de Cristo sobre a luz: “a luz verdadeira, que ilumina todo o homem que vem ao mundo ...” (Jo 1,9). Assim se explica também por que freqüentemente no Advento e na Liturgia de Natal, dominou tão fortemente a temática da luz, singularmente ainda mais do que na Liturgia da Páscoa. Além disso, segundo as fontes mais antigas, em Roma, de onde propagou-se o dia de Natal, a festa de Cristo, foi atestada pela primeira vez no ano de 336.

 

O solene anúncio do Natal

           

Na Ordem, temos um costume muito bonito, cujos inícios se remontariam ao século XII. Na Vigília do Natal, na manhã do dia 24 de dezembro, se inicia a leitura do martirológio na Sala Capitular com o anúncio do nascimento de Cristo. Depois das palavras: “Jesus Christus, Filius Dei, in Bethlehem Iudae nascitur”, “Jesus Cristo, Filho de Deus, nasceu em Belém de Judá”, “todo o convento se ajoelha em sinal de adoração da Sagrada Encarnação e reza uma breve oração” (cf. Ecclesiastica Officia, cap. 3-4 e o Diretório da nossa Ordem de 2004/2005, pág. 26). A grande prostração é uma expressão visível tanto do humilde rebaixamento de Deus na Encarnação de Jesus como da adoração, por nossa parte, deste inefável mistério. São Bernardo fez um magnífico comentário deste rito solene em seus sermões primeiro e sexto da Vigília do Natal, de onde explica cada um dos elementos da anunciação citada. Esta é para ele “a voz da alegria ... , a boa palavra, a palavra de consolo, o anúncio cheio de graça e valor que é importante” (Primeiro sermão, nº 1). Seria uma pena que esta antiga e bonita tradição cisterciense se perdesse. Onde o Martirológio Romano não é lido na Sala Capitular, poderia transferir-se, não obstante, a outro lugar apropriado no Mosteiro este anúncio solene da natividade e, segundo as circunstâncias, inclusive substituir-se o gesto da grande prostração pelo de ajoelhar-se. Conforme o tem assinalado por livros litúrgicos, todo o mundo se ajoelha no Natal (nas três Missas) durante um tempo, ao cantar-se ou pronunciar-se as palavras: “E se fez homem”, e, justamente, pelo motivo citado.

 

A tríplice celebração da Missa no Natal

 

Uma das coisas pelas quais se distingue a festa do Natal são por suas três Missas, cada uma com seu formulário litúrgico próprio. As Missas têm sua origem na liturgia papal romana dos séculos IV-VI. O Papa celebra, com efeito, as três Missas do Natal:

a) a Missa do Galo, na Basílica de Santa Maria Maior;

b) a Missa da “Aurora”, pela manhã, em Santa Anastácia; e

c) a Missa Solene do Dia, na Basílica de São Pedro.

A mais antiga destas três celebrações é a que tinha lugar durante o dia (século IV), e a mais recente a chamada “Missa da Aurora” ou “Missa dos Pastores” (século VI). Partindo de Roma, as três Missas foram se estendendo, e até o século IX tornaram-se gradualmente um costume geral dentro da Igreja. Por isso, encontramo-las também nos livros litúrgicos mais antigos de nossa Ordem. O canonista e liturgista Wilheln Durandus (+1296) deu para as três Missas do Natal um significado teológico-simbólico (o tríplice nascimento de Cristo). Desde a reforma litúrgica, as três Missas não são mais obrigatórias (sobretudo em relação à Missa da “Aurora”). O número 34 das NALC (1969) estabelece que “segundo a antiga tradição romana, no Natal pode-se celebrar a Missa três vezes: pela noite, pela manhã e durante o dia”. O Diretório da Igreja Católica dize que “todo sacerdote pode celebrar ou concelebrar três Missas, porém somente no momento correspondente” (cf. Diretório da nossa Ordem 2004/2005, pág. 27).

 

A Oitava do Natal

 

Em analogia com a Oitava da Páscoa, desde o século VIII em diante foi também configurando-se uma semana festiva do Natal celebrada liturgicamente, a Oitava do Natal, cujos três primeiros dias estão documentados desde o século V (!) pelas três festas, que lhe seguem: Santo Estevão Protomártir (26 de dezembro), São João Evangelista (27 de dezembro) e os Santos Inocentes (28 de dezembro). Chamam-se estes santos “Comites Christi”, os membros do séquito de Cristo. A última reforma litúrgica manteve a Oitava do Natal, assinalando para cada um destes dias as seguintes características:

 

º Nas Vigílias acrescentam-se sempre o “Te Deum” e o “Te decet laus”.

 

º Laudes, Terça, Sexta e Noa figuram nas três festas (26, 27 e 28 de dezembro) dos santos do dia .

 

º As Vésperas são todos os dias (também nas festas de 26, 27 e 28 de dezembro!) até a leitura breve sempre as segundas Vésperas de Natal (mas depois da leitura breve sempre textos próprios da liturgia do Natal, não dos santos!).

 

º Na celebração da Eucaristia, inclui-se todos os dias o Glória, o Prefácio do Natal e na Oração Eucarística nº 1 o “Comunicantes Próprio” do Natal.

 

º As memórias dos santos entre 28 e 31 de dezembro só podem ser celebradas a título de comemoração (cujo modo está descrito no Diretório da nossa Ordem 2004/2005, pág. 12).

 

Desde a renovação litúrgica que seguiu o Concílio Vaticano II, o domingo da Oitava do Natal, onde se ache apropriado, celebra-se a festa da Sagrada Família (antes do Primeiro Domingo depois da Epifania). A reforma litúrgica, com bom critério, tem recuperado também o oitavo dia do Natal, o que quer dizer, o primeiro de janeiro, uma muito antiga tradição romana, consiste em celebrar nesse dia a festa da Virgem Mãe de Deus. Esta recordação de Maria, aqui imediatamente vinculada ao nascimento do Senhor, é a festa mariana mais antiga da liturgia romana (“Natale Sanctae Mariae”). Com a introdução da grande festa mariana no século VII, esta festividade foi perdendo sempre mais o seu significado, cedendo o seu lugar a uma celebração da Oitava do Natal. Ao oitavo dia da festa do nascimento de Cristo, o primeiro de janeiro, se uniram em virtude do Evangelho de Lucas (La 2,21) outros conteúdos festivos: a Circuncisão do Senhor (em Roma desde o século XIII-XIV) e a Imposição do nome de Jesus. Nas NALC, nº 35f, se lê a respeito que “o primeiro de janeiro, o oitavo dia após o Natal, celebra-se a festa de Maria, Mãe de Deus, e a recordação do dia em que o Salvador recebeu o nome de Jesus. Atualmente, o calendário da Igreja Católica contempla a possibilidade de celebrar no dia 3 de janeiro a festa do Santíssimo Nome de Jesus (como “memória ad libitum”,cf. O Diretório da nossa Ordem 2004/2005, pág. 30). Por último, desde 1967, e por incentivo do Papa Paulo VI, o primeiro de janeiro é também o “Dia Mundial da Paz”. Todos os mistérios e temas citados anteriormente caracterizam a Liturgia das Horas e da Missa o oitavo dia do Natal. Não obstante, chama a atenção que o começo do novo ano apenas seja tido em conta nos textos litúrgicos do primeiro de janeiro. A Igreja segue justamente seu próprio calendário litúrgico, segundo o qual seu ano começa com o primeiro domingo do Advento. Mas, em geral, pela passagem do fim do ano se celebram todo o tipo de “ofícios do ano novo”. Ao ano novo civil pode ser feita expressa referência na introdução à celebração da Eucaristia e nas preces.

 

Da festa da manifestação do Senhor (Epifania) a qual constitui o segundo grande ponto culminante do tempo do Natal e é muito mais do que simplesmente a Festa dos Reis, se a consideram teologica e espiritualmente tendo em conta a sua origem oriental, e da Festa do Batismo do Senhor, na qual o período do Natal chega a seu término, direi algumas coisas no próximo ano.

 

 

O ANO DA SAGRADA EUCARISTIA

 

 

Como é sabido com a Carta Apostólica “Mane Nobiscum, Domine” de 7 de outubro de 2004, o Papa João Paulo II declarou Ano da Eucaristia o período compreendido entre outubro de 2004 e outubro de 2005, inaugurando o referido ano com a Missa Solene em Roma no dia 17 de outubro de 2004. A base desta iniciativa do Papa está em sua Encíclica “A Igreja vive da Eucaristia” (“Ecclesia de Eucharistia”), publicada em 17 de abril de 2003. A Sagrada Eucaristia será também tema do Sínodo Mundial dos Bispos, que terá lugar em Roma, entre os dias 2 – 23 de outubro de 2005: “A Eucaristia, fonte e cume da vida e da missão da Igreja”. O que o Santo Padre quis conseguir com este Ano Eucarístico, ele mesmo explica na já citada Carta Apostólica, como segue: “que o Ano da Eucaristia seja para todos uma excelente ocasião para tomar consciência do tesouro incomparável que Cristo confiou a sua Igreja. Que seja estímulo para celebrar a Eucaristia com maior vitalidade e fervor, e que isto se traduza em uma vida cristã transformada pelo amor” (nº 29). Ainda quando ele mesmo contribui com algumas iniciativas concretas à estruturação deste ano, o Papa, não obstante, ressalta que: “Eu não espero que se façam coisas extraordinárias, mas que toda a iniciativa pregue uma profunda interioridade. Ainda que o fruto deste ano seja somente avivar em todas as comunidades cristãs a celebração da Missa Dominical e incrementar a adoração eucarística fora da Missa, este ano de graça teria conseguido um resultado significativo. Não obstante é bom apontar para cima, sem conformar-se com medidas medíocres, porque sabemos que podemos contar sempre com a ajuda de Deus” (ibidem) mas a nós, as pessoas que consagraram a sua vida, Ele as chama com estas palavras: “vós consagrados e consagradas, chamados por vossa própria consagração a uma contemplação mais prolongada, recordai que Jesus no sacrário espera ter-vos a seu lado para espargir em vossos corações essa íntima experiência de sua amizade, a única que pode dar sentido e plenitude a vossa vida” (nº 30). Especial interesse reveste na “Mane nobiscum, Domine” a dimensão sócio-caritativa da Sagrada Eucaristia, que o Papa põe em relevo no quarto capítulo, “A Eucaristia, como princípio e plano da Missão”, aclarando a dita dimensão segunda a dimensão da Igreja antiga: “não há serviço a Deus sem o serviço aos homens, não há amor a Deus sem amor aos homens”.

 

Torna-se, neste “Ano da Eucaristia”, para todos importante avivar a celebração da Eucaristia, de modo que a celebremos e concelebremos sempre com maior reverência, consciência e perfeição. A Eucaristia diária deve ser verdadeiramente, tal e como quis o Concílio Vaticano II, a “fonte e cume” de nossa jornada e nossa vida monásticas (cf. SC, nº 10). Para entender profundamente a celebração da Eucaristia na sua execução prática, servirão de ajuda as explicações da Missa presentes em muitos lugares, após a reforma litúrgica, como seria o caso nos países de língua alemã, no livro de Jo HERMANS, Die Feier der Eucharistie. Erklärung und spirituelle Erschliessung, Regensburg, 1984, ou outros comentários similares. De orientação e confirmação de uma celebração da Sagrada Eucaristia conforme a liturgia da Igreja oficializa também, finalmente, a Instrução “Redemptionis Sacramentum”, publicada em 25 de março a pedido do Papa para a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos: “sobre algumas coisas que se devem observar ou evitar acerca da Santíssima Eucaristia”.

 

 

O DIRETÓRIO DA ORDEM PARA O ANO 2004/2005

 

 

Por outro lado muito pontual e cuidadosamente, o Ir. Xavier Guanter, de Poblet, organizou o Diretório da nossa Ordem, o “Ordinis Cisterciensis Directorium Divini Officii 2004/2005”. Eu gostaria de agradecer-lhe pelo seu trabalho e seu valioso serviço. Nesse Diretório, terão chamado seguramente a sua atenção duas coisas:

1- As rubricas referentes aos tempos do Ano Eclesiástico (Advento, Natal, Quaresma e Páscoa) tem sido parcialmente ampliadas e modificadas. Por quê? Temos nos adaptado ao Diretório da Igreja Católica, que traz a terceira edição do Missal Romano de 2002, foram revisados e ajustados igualmente suas rubricas. Um exemplo disto são as novas instruções, acimas citadas, relativas ao emprego do órgão, dos instrumentos musicais e das flores no tempo do Advento.

2- Apoiando-se de novo no Diretório Oficial da Igreja, temos introduzido as “memórias ad libitum”, que ultimamente tem sido aceitas pelo calendário da Igreja.

Trata-se de:

a) a memória correspondente a São João Diego Cuauhtlatoatzin (+1548), no dia 9 de dezembro;

b) a correspondente à Bem-aventurada Virgem Maria de Guadalupe, no dia 12 de dezembro.

Os textos em latim de cada uma dessas memórias facultativas podem encontrar-se no Apêndice de nosso Diretório (págs. 131-137). O dia 17 de junho constitui, no nosso novo Diretório, a festa correspondente à memória (ad libitum) do Beato José Maria Cassant (+1903), monge sacerdote da Ordem dos Trapistas, o qual foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 3 de outubro de 2004. A outras novas memórias no Santoral da Igreja fiz já referência em minha terceira carta circular sobre a Quaresma e a Páscoa de 2004.

 

Todo aquele que deseja expor um pedido ou formular uma proposta de melhoria em relação ao Diretório, dirija-se, por favor, diretamente ao Ir. Xavier Guanter, em Poblet.

 

 

OS INSTITUTOS LITÚRGICOS DOS DIFERENTES PAÍSES

 

Muitos países e Conferências Episcopais contam com seus próprios Institutos Litúrgicos, cuja tarefa consiste, entre outras coisas, prestar assistência litúrgico pastoral, distribuir as traduções às respectivas línguas vernáculas dos livros e documentos litúrgicos da Igreja e oferecer nova literatura litúrgica. Estes Institutos dispõe, hoje em dia, de um e-mail, no qual podem consultar-se documentação e textos litúrgicos de toda a espécie. Alguns destes Institutos publicam inclusive suas próprias revistas litúrgicas. Também nossos Mosteiros podem recorrer à ajuda destes Institutos.

 

Na Suiça, por exemplo, o Abade Martin Werlen, OSB, de Einsiedeln, inaugurou em 4 de dezembro de 2004, o Instituto Litúrgico para a Suiça em Língua Alemã, reconstituindo um largo parêntese e transladado a Friburgo. O Instituto está dirigido pelo jovem padre dominicano Peter Spichtig e sua equipe. (e-mail:liturgisches.institut@fr.kath.ch).

 

Nosso Abade Geral D. Mauro e outros irmãos e irmãs da Ordem me tem feito chegar todo um catálogo de perguntas e problemas litúrgicos surgidos durante a prática . Ao ser de interesse geral, tratarei de responder proximamente a todas estas questões em uma futura carta circular.

 

O tempo do Advento e do Natal se faz sob o signo da tríplice vinda do Senhor. A invocação da Igreja no Advento diz, pois, simplesmente: “Vem, Senhor Jesus”. De todo o coração, quisera desejar a todos um Advento de prosperidade, um feliz natal e um ano novo de 2005 cheio de bem-aventuranças.

 

 

 

 

Vosso irmão em Cristo,

Pe Alberico M. Altermatt, O.Cist.

Mosteiro de Eschenbach (Suiça), 17 de novembro de 2004.