A
REGRA DE SÃO BENTO

E
A
DECLARAÇÃO DA VIDA CISTERCIENSE HODIERNA
§
RB :
§
De Vita Cisterciensi Hodierna. Declaratio Capituli Generalis Ordinis Cisterciensis. (ACG 44
(2000) 7-43).
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1 jan 2 mai
1 set |
scuta, filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do
teu coração; recebe de boa vontade e executa eficazmente o conselho de um bom
pai, para que voltes, pelo labor da obediência, àquele de quem te afastaste
pela desídia da desobediência. A ti, pois, se dirige agora a minha palavra,
quem quer que sejas que, renunciando às próprias vontades, empunhas as
gloriosas e poderosíssimas armas da obediência para militar sob o Cristo
Senhor, verdadeiro Rei.
Antes de tudo, quando encetares algo de bom, pede-lhe com
oração muito insistente que seja por ele plenamente realizado, a fim de que
nunca venha a entristecer-se, por causa das nossas más ações, aquele que já se
dignou contar-nos no número de seus filhos; assim, pois, devemos obedecer-lhe
em todo tempo, usando de seus dons a nós concedidos para que não só não venha
jamais, como pai irado, a deserdar seus filhos, nem tenha também, qual Senhor
temível, irritado com nossas más ações, de entregar-nos à pena eterna como
péssimos servos que o não quiseram seguir para a glória.
1. Nós, membros do Capítulo Geral, reunidos
para a atualização da nossa Ordem[1], após madura deliberação e discussão dos
vários pareceres, resolvemos apresentar primeiramente os princípios
fundamentais da nossa vocação e da nossa vida para colocá-los como o alicerce
de todo o trabalho de renovação.
É nossa intenção
expor, com sinceridade e convenientemente, nessa Declaração, o que pretendemos
realizar como ajornamento, os fins a atingir e os meios a serem usados para
alcançá-los.
2. Com esta nossa Declaração, não queremos,
de modo algum, impedir ulteriores reflexões e novas soluções, porque também as
futuras gerações Cistercienses têm o direito e a responsabilidade de procurar
formas mais adaptadas e melhores da vida monástica, como o fizeram os Fundadores
de Cister, no século Xll e as gerações subseqüentes. Só seremos verdadeiramente
fiéis a nossos Pais, os fundadores do " Novo Mosteiro", se não
cessarmos de procurar caminhos e modos pelos quais possamos viver, cada dia
mais perfeitamente, a nossa vocação, segundo a vontade de Deus.
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2 jan 3 mai
2 set |
evantemo-nos então finalmente, pois a Escritura nos desperta
dizendo: "Já é hora de nos levantarmos do sono". E, com os olhos
abertos para a luz deífica, ouçamos, ouvidos atentos, o que nos adverte a voz
divina que clama todos os dias: "Hoje, se ouvirdes a sua voz, não
permitais que se endureçam vossos corações", e de novo: "Quem tem
ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às igrejas". E que diz? –
"Vinde, meus filhos, ouvi-me, eu vos ensinarei o temor do Senhor. Correi
enquanto tiverdes a luz da vida, para que as trevas da morte não vos envolvam".
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3 jan 4 mai
3 set |
procurando o Senhor o
seu operário na multidão do povo, ao qual clama estas coisas, diz ainda:
"Qual é o homem que quer a vida e deseja ver dias felizes?" Se,
ouvindo, responderes: "Eu", dir-te-á Deus: "Se queres possuir a
verdadeira e perpétua vida, guarda a tua língua de dizer o mal e que teus
lábios não profiram a falsidade, afasta-te do mal e faze o bem, procura a paz e
segue-a". E quando tiveres feito isso, estarão meus olhos sobre ti e meus
ouvidos junto às tuas preces, e antes que me invoques dir-te-ei: "Eis-me
aqui". Que há de mais doce para nós, caríssimos irmãos, do que esta voz
do Senhor a convidar-nos? Eis que pela sua piedade nos mostra o Senhor o
caminho da vida.
11. Não é nossa intenção
apresentar um ideal teórico e alheio à vida para conservar ou restaurar formas
obsoletas, mas examinar e repensar nossa vida de hoje, moderna e concreta, para
fornecer-lhe os princípios da renovação. Esforçamo-nos por criar, eficaz e
autenticamente a vida monástica Cisterciense do século XXI, aquela que se
segue à vocação que nos é dada concretamente por Deus. Sim, Deus nos chama aqui
e agora. Quer que sejamos santos nesta época, nestas circunstâncias, com as possibilidades
do homem moderno. Quer que sigamos a Cristo e sirvamos aos homens na caridade.
Nossos trabalhos têm de se radicar sempre na verdade e na
realidade concreta da vida. Por isso, nesta Declaração, queremos ter sempre
diante dos olhos os trabalhos, as possibilidades, as exigências, os ministérios
de nossos monges e de nossas comunidades, como também a vida da Igreja e do
mundo hodierno.
Este sadio realismo, no entanto, não significa, em
absoluto, a aceitação ou a aprovação das imperfeições e dos vícios da situação
atual, como se, satisfeitos com a realidade vulgar e chã, não desejássemos
tender ao melhor. Rejeitamos, naturalmente, tudo isso, como contrário à própria
essência da vida religiosa e ao esforço para atingirmos a vida da caridade
perfeita. Mas, por outro lado, sabemos muito bem que os ideais e os programas,
por mais sublimes que sejam, de nada valem se os homens, aos quais são propostos,
não os recebem livremente, e de boa vontade e os realizam eficazmente.
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4 jan 5 mai
4 set |
ingidos, pois, os rins com a fé e a observância das boas
ações, guiados pelo Evangelho, trilhemos os seus caminhos para que mereçamos
ver aquele que nos chamou para o seu reino. Se queremos habitar na tenda real
do acampamento desse reino, é preciso correr pelo caminho das boas obras, de
outra forma nunca se há de chegar lá. Mas, com o profeta, interroguemos o
Senhor, dizendo-lhe: "Senhor, quem habitará na vossa tenda e descansará na
vossa montanha santa?". Depois dessa pergunta, irmãos, ouçamos o Senhor
que responde e nos mostra o caminho dessa mesma tenda, dizendo: "É aquele
que caminha sem mancha e realiza a justiça; aquele que fala a verdade no seu
coração, que não traz o dolo em sua língua, que não faz o mal ao próximo e não
dá acolhida à injúria contra o seu próximo". É aquele que quando o maligno diabo tenta persuadi-lo de alguma coisa,
repelindo-o das vistas do seu coração, a ele e suas sugestões, redu-lo a nada,
agarra os seus pensamentos ainda ao nascer e quebra-os de encontro ao Cristo.
São aqueles que, temendo o Senhor, não se
tornam orgulhosos por causa de sua boa observância, mas, julgando que mesmo as
coisas boas que têm em si não as puderam por si, mas foram feitas pelo
Senhor, glorificam Aquele que neles opera, dizendo com o profeta: "Não a
nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai Glória". Como, aliás, o Apóstolo Paulo não atribuía a si
próprio coisa alguma de sua pregação, quando dizia: "Pela graça de Deus
sou o que sou" e ainda: "Quem se glorifica, que se glorifique no
Senhor".
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5 jan 6 mai 5 set |
is porque no Evangelho diz o Senhor: "Àquele que ouve
estas minhas palavras e as põe em prática, compará-lo-ei ao homem sábio que
edificou sua casa sobre a pedra, cresceram os rios, sopraram os ventos e investiram
contra a casa; e ela não ruiu porque estava fundada sobre pedra". Em
conclusão espera o Senhor todos os dias que nos empenhemos em responder com
atos às suas santas exortações. Por essa razão, os dias desta vida nos são
prolongados como tréguas para a emenda dos nossos vícios, conforme diz o
Apóstolo: "Então ignoras que a paciência de Deus te conduz à
penitência?". Pois diz o bom Senhor: "Não quero a morte do pecador,
mas sim que se converta e viva".
12. A atualização
abrangerá a totalidade de nossa vida. Assim, todos os seus elementos
constitutivos terão de ser revistos e a cada um será dada a devida importância.
Seria de todo errado relevar exageradamente alguns aspectos de nossa vida como
se a essência da vida Cisterciense consistisse unicamente neles e negligenciar
outros elementos, como se fossem simples apêndices ou até obstáculos para a
verdadeira vida monástica. Somos e devemos ser Cistercienses em cada momento
da vida, não apenas quando nos reunimos para rezar ou para as observâncias
comunitárias, mas também nos estudos, nos trabalhos, no ministério sacerdotal,
na oração par-ticular, atendendo às necessidades dos homens ou em outras
circunstâncias congêneres.
Procuremos, pois, ter uma visão global que
harmoniosamente integre todas as facetas da vida no único serviço do Senhor.
Se alguns elementos da vida Cisterciense moderna não dizem respeito a todos os
membros da Ordem (como o sacerdócio) ou não se relacionam com todos os mosteiros
(como a educação da juventude e a cura pastoral) devem ser, no entanto, considerados
com atenção e sua importância e obrigação sinceramente reconhecidos. Também os
elementos da vida monástica que, pouco ou de forma alguma, se encontrem na
Regra e nos inícios de Cister, não devem, por isso, ser taxados de secundários
ou duvidosos, pois a vida monástica, como todo ser vivo, cresce com o tempo,
evolui, assimila muitos elementos novos e rejeita outros tantos elementos
caducos.
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6 jan 7 mai
6 set |
omo, pois, irmãos, interrogássemos o Senhor a respeito de
quem mora em sua tenda, ouvimos em resposta, qual a condição para lá habitar:
a nós compete cumprir com a obrigação do morador!
Portanto, é
preciso preparar nossos corações e nossos corpos para militar na santa
obediência dos preceitos; e em tudo aquilo que nossa natureza tiver menores
possibilidades, roguemos ao Senhor que ordene a sua graça que nos preste
auxílio. E, se, fugindo das penas do inferno, queremos chegar à vida eterna, enquanto
é tempo, e ainda estamos neste corpo e é possível realizar todas essas coisas
no decorrer desta vida de luz, cumpre correr e agir, agora, de forma que nos
aproveite para sempre.
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7 jan 8 mai 7 set |
evemos, pois, constituir uma escola de serviço do Senhor.
Nesta instituição esperamos nada estabelecer de áspero ou de pesado. Mas se
aparecer alguma coisa um pouco mais rigorosa, ditada por motivo de eqüidade,
para emenda dos vícios ou conservação da caridade não fujas logo, tomado de
pavor, do caminho da salvação, que nunca se abre senão por estreito início.
Mas, com o progresso da vida monástica e da fé, dilata-se o coração e com
inenarrável doçura de amor é percorrido o caminho dos mandamentos de Deus. De
modo que não nos separando jamais do seu magistério e perseverando no
mosteiro, sob a sua doutrina, até a morte, participemos, pela paciência, dos
sofrimentos do Cristo a fim de também merecermos ser co-herdeiros de seu
reino. Amém.
13. As formas
institucionais, nas quais concretamente se manifesta, hoje em dia, a vida
Cisterciense são as diversas comunidades vivas. Verifica-se, porém, que nossas
comunidades, no decurso dos tempos, assumiram, em várias regiões, formas
diversas de vida e vários encargos. Tal pluralismo, em si, não é para se
deplorar, como se tratasse de uma absurda decadência; seja aceito, não apenas
como um fato consumado, e sim como um sinal de vida e um convite de Deus a ser
levado adiante[2].
Os valores e diversos ministérios de cada Congregação e mosteiro, se entre eles
reina a confiança mútua, poderão contribuir, através da colaboração das
comunidades, para o bem e o progresso de toda a Ordem. É de muito mais valor o
pluralismo na concórdia dos corações, do que uma rígida uniformidade[3],
realizada pela coação e com a discórdia interna. O Capítulo Geral, portanto,
reconhece e promove a legítima autonomia de cada Congregação e mosteiro nas
suas formas de vida, que deverão ser aperfeiçoadas, e procurará auxiliá-los nos
seus esforços[4].
No trabalho da atualização é, pois, de máxima importância
que cada comunidade conheça e reconsidere sua própria finalidade e seus
valores e estabeleça suas formas de vida adequadamente, pois a responsabilidade
desse trabalho reverte primeiramente a cada comunidade. O Capítulo Geral visa
apenas ajudar, promovendo e coordenando os trabalhos do ajornamento, mas não
pode assumir nem suprimir o trabalho que compete a cada mosteiro e Congregação[5].
14. Expostos estes
princípios, desejamos que a atualização da vida Cisterciense seja uma
continuação natural e um desenvolvimento orgânico da secular tradição monástica
e Cisterciense. Queremos, sim, conhecer (e até mais cuidadosamente do que
antes) as tradições monás-ticas e Cistercienses e pretendemos usufruir delas
freqüentemente para nosso bem e inspiração. Não queremos, porém, ficar de tal
modo obcecados por ela que isso nos faça relegar a solução dos problemas hodiernos,
dos quais os antigos muito pouco ou talvez nada conheceram por causa das
condições de vida, radicalmente outras. Não nos é lícito renunciar à própria
responsabilidade na atualização de nossa vida religiosa nem recear os novos
caminhos e as novas soluções. A história deve ser para nós uma mestra que nos
admoeste e inspire e nunca uma tirana que nos coíba .
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8 jan 9 mai
8 set |
sabido que há quatro
gêneros de monges. O primeiro é o dos cenobitas, isto é, o monasterial, dos que
militam sob uma Regra e um Abade. O segundo gênero é o dos anacoretas, isto é,
dos eremitas, daqueles que, não por um fervor inicial da vida monástica, mas
através de provação diuturna no mosteiro, instruídos então na companhia de
muitos aprenderam a lutar contra o demônio e, bem adestrados nas fileiras
fraternas, já estão seguros para a luta isolada do deserto, sem a consolação de
outrem, e aptos para combater com as próprias mãos e braços, ajudando-os
Deus, contra os vícios da carne e dos pensamentos.
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9 jan 10 mai 9 set |
terceiro gênero de
monges, e detestável, é o dos sarabaítas, que, não tendo sido provados, como o
ouro na fornalha, por nenhuma regra, mestra pela experiência, mas amolecidos
como numa natureza de chumbo, conservam-se por suas obras fiéis ao século, e
são conhecidos por mentir a Deus pela tonsura. São aqueles que se encerram dois
ou três ou mesmo sozinhos, sem pastor, não nos apriscos do Senhor, mas nos seus
próprios; a satisfação dos desejos é para eles lei, visto que tudo quanto
julgam dever fazer ou preferem, chamam de santo, e o que não desejam reputam
ilícito. O quarto gênero de monges é o chamado dos giróvagos, que por toda a
sua vida se hospedam nas diferentes províncias, por três ou quatro dias nas
celas de outros monges, sempre vagando e nunca estáveis, escravos das próprias
vontades e das seduções da gula, e em tudo piores que os sarabaítas. Sobre o
misérrimo modo de vida de todos esses é melhor calar que dizer algo.
Deixando-os de parte, vamos dispor, com o auxilio do Senhor, sobre o poderosíssimo
gênero dos cenobitas.
79. Seguindo a nossa
vocação, entramos no mosteiro Cisterciense que livremente escolhemos, para
recebermos os ensinamentos da escola do serviço do Senhor[6];
depois assumimos, por livre vontade, ao emitir a profissão, as tarefas e os
ideais da vida do nosso mosteiro[7].
Portanto, a vida monástica não nos foi imposta, mas aceita por livre e
voluntária consagração. Assim, nossas comunidades são formadas por "voluntárias"
que aspiram ao mesmo fim, conhecido por todos e por todos desejado. Habitamos,
deste modo, unânimes no mosteiro e temos um só coração e uma só alma[8].
80. A base vital, portanto,
da comunidade monástica é a livre e voluntária consagração dos monges, que têm
em grande estima os valores e as tarefas da vida do mosteiro e os assumem como
seus. Essa livre consagração e alegre convicção é a força que os move e às observâncias
das leis e é também o fundamento de toda a estrutura jurídica. Faltando ela, a
comunidade monástica, como qualquer sociedade composta de pessoas reunidas
por livre vontade, perde a sua vitalidade. É, pois, sumamente importante que os
monges conservem viva e ardente essa livre decisão pela qual abraçaram
livremente a vida monástica e que qualquer ordem e estruturação da vida
comunitária leve em conta essa livre vontade e deliberação, procurando
promovê-la e desenvolvê-la.
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10 jan 11 mai 10 set |
Abade digno de
presidir ao mosteiro, deve lembrar-se sempre daquilo que é chamado, e
corresponder pelas ações ao nome de superior. Com efeito, crê-se que, no
mosteiro ele faz as vezes do Cristo, pois é chamado pelo mesmo cognome que
Este, no dizer do Apóstolo: "Recebestes o espírito de adoção de filhos, no
qual clamamos: ABBA, Pai." Por isso o Abade nada deve ensinar, determinar
ou ordenar, que seja contrário ao preceito do Senhor, mas que a sua ordem e ensinamento,
como o fermento da divina justiça se espalhe na mente dos discípulos; lembre-se
sempre o abade de que da sua doutrina e da obediência dos discípulos, de ambas
essas coisas, será feita apreciação no tremendo juízo de Deus.
E saiba o
Abade que é atribuído à culpa do pastor tudo aquilo que o Pai de família puder
encontrar de menos no progresso das ovelhas. Em compensação, de outra maneira
será, se a um rebanho irrequieto e desobediente tiver sido dispensada toda
diligência do pastor e oferecido todo o empenho na cura de seu atos malsãos;
absolvido então o pastor no juízo do Senhor, diga ao mesmo com o Profeta:
"Não escondi vossa justiça em meu coração, manifestei vossa verdade e a
vossa salvação; eles, porém, com desdém desprezaram-me". E então,
finalmente, que prevaleça a própria morte como pena para as ovelhas que desobedeceram
aos seus cuidados.
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11 jan 12 mai 11 set |
ortanto, quando alguém recebe o nome de Abade, deve presidir
a seus discípulos usando de uma dupla doutrina, isto é, apresente as coisas
boas e santas, mais pelas ações do que pelas palavras, de modo que aos discípulos
capazes de entendê-las proponha os mandamentos do Senhor por meio de palavras,
e aos duros de coração e aos mais simples mostre os preceitos divinos pelas
próprias ações. Assim, tudo quanto ensinar aos discípulos como sendo nocivo,
indique pela sua maneira de agir que não se deve praticar, a fim de que. pregando
aos outros, não se torne ele próprio réprobo, e Deus não lhe diga um dia como
a um pecador: "Por que narras as minhas leis e anuncias o meu testamento
pela tua boca? tu que odiaste a disciplina e atiraste para trás de ti as
minhas palavras", e ainda: "Vias o argueiro no olho de teu irmão e
não viste a trave no teu próprio".
94. O Abade, antes de tudo,
é o pastor das almas, isto é, o seu múnus, e, antes de tudo, espiritual,
visando o bem das almas[9]. Sua
autoridade é uma diaconia, tem o caráter de um humilde serviço, conforme a
doutrina e o exemplo do Cristo, a quem representa[10].
Convém, pois, que tenha e manifeste por seus irmãos aquele amor paterno com o
qual o Pai celeste ama os monges[11].
95. O Abade é, além disso,
mediador da Palavra de Deus, desempenhando o ofício de intérprete das Sagradas
Escrituras nas múltiplas circunstâncias da vida de cada dia. O Abade nunca
pode prevalecer sobre a Palavra divina, mas, ao contrário, deve ser-lhe cada
vez mais submisso.
96. Não é de menor
importância o outro ofício do Abade, que o Apóstolo indica pelo nome de
discernimento dos espíritos[12]. O
Abade deve esforçar-se por discernir se cada um de seus monges é conduzido pelo
Espírito de Deus ou se é enganado por suas aspirações meramente terrenas, por
seu próprio eu ou pelo espírito da mentira. E para que possa discernir a voz do
Espírito Santo de qualquer outra voz, é mister que ele próprio seja versado,
tanto na doutrina como na experiência das coisas espirituais.
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12 jan 13 mai 12 set |
ue não seja feita por ele distinção de pessoas no mosteiro.
Que um não seja mais amado que outro, a não ser aquele que for reconhecido
melhor nas boas ações ou na obediência. Não anteponha o nascido livre ao originário
de condição servil, a não ser que exista outra causa razoável para isso; pois
se parecer ao Abade que deve fazê-lo por questão de justiça, fá-lo-á seja qual
for a condição social; caso contrário, mantenham todos seus próprios lugares,
porque, servo ou livre, somos todos um em Cristo e sob um só Senhor caminhamos
submissos na mesma milícia de servidão: "Porque não há em Deus acepção de
pessoas". Somente num ponto somos por ele distinguidos, isto é, se formos
melhores do que os outros nas boas obras e humildes. Seja pois igual a caridade
dele para com todos; que uma só disciplina seja proposta a todos, conforme os
merecimentos de cada um.
97.
O Abade é o centro da unidade
da comunidade, promovendo a concórdia de todos com relação aos fins comuns e coordenando
os esforços e trabalhos de todos os monges. Por isso, o Abade deve ter em
grande apreço, compreender e tratar com o devido respeito a pessoa de cada
monge. Cuide de ter tempo disponível e o coração aberto para todos os monges;
incite-os, não a uma obediência qualquer, mas a uma obediência ativa e
responsável à cordial colaboração de cada um, para que os dons de todos dêem
frutos no serviço de Deus; procure promover um diálogo sincero e aberto; ponha
os monges a par das preocupações e planos da vida do mosteiro e de todos os
negócios da casa, pois tudo isso lhes diz respeito. Assuma, porém, a responsabilidade
do que lhe compete, por ofício, quando tiver decidido com precisão aquilo que,
após diligente exame, lhe parece ser a vontade de Deus.
98.
O Abade, para suscitar a
unidade, rejeite tudo o que tende a separá-lo de seus monges; leve a vida
regular com os irmãos, apresentando-se como modelo de fidelidade e zelo;
restrinja ao mínimo possível os assuntos que exigem sua ausência do mosteiro.
Mesmo sendo Abade, ele permanece monge e irmão entre os irmãos e, assim, como
centro de unidade e caridade, entregue-se totalmente aos irmãos no amor do
Cristo.
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13 jan 14 mai 13 set |
ortanto, em sua doutrina deve sempre o Abade observar aquela
fórmula do Apóstolo: "Repreende, exorta, admoesta", isto é,
temperando as ocasiões umas com as outras, os carinhos com os rigores, mostre
a severidade de um mestre e o pio afeto de um pai, quer dizer: aos
indisciplinados e inquietos deve repreender mais duramente, mas aos obedientes,
mansos e pacientes, deve exortar a que progridam ainda mais, e quanto aos negligentes
e desdenhosos, advertimos que os repreenda e castigue. Não dissimule as faltas
dos culpados, mas logo que começarem a brotar ampute-as pela raiz, como lhe for
possível, lembrando-se da desgraça de Heli, sacerdote de Silo. Aos mais honestos
e de ânimo compreensível, censure por palavras em primeira e segunda
advertência; porém aos improbos, duros e soberbos ou desobedientes reprima com
varadas ou outro castigo corporal, desde o início da falta, sabendo que está
escrito: "O estulto não se corrige com palavras". E mais: "Bate
no teu filho com a vara e livrarás a sua alma da morte".
115. O Abade Presidente
governa a Congregação de acordo com o Capítulo da Congregação e é o sinal do
amor fraterno pelo qual os mosteiros se unem. Ele trabalha para que nas
famílias monásticas a vida religiosa floresça convenientemente, firme-se e se
desenvolva, conforme as Constituições da Congregação.
Cabe-lhe fomentar as relações entre os mosteiros para o
bem de toda a Congregação. Convém que, neste ponto, os Abades e os monges de todos
os mosteiros ajudem o Abade Presidente, alimentando as relações fraternas
entre si, recebendo-se uns aos outros de bom grado, participando dos esforços,
encontrando-se para conferências sobre assuntos espirituais ou administrativos
e procurando conhecer-se e estimar-se mutuamente.
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14 jan 15 mai 14 set |
eve sempre lembrar-se o Abade daquilo que é; lembrar-se de
como é chamado, e saber que daquele a quem mais se confia mais se exige. E
saiba que coisa difícil e árdua recebeu: reger as almas e servir aos temperamentos
de muitos; a este com carinho, àquele, porém, com repreensões, a outro com
persuasões segundo a maneira de ser ou a inteligência de cada um, de tal modo
se conforme e se adapte a todos, que não somente não venha a sofrer perdas no
rebanho que lhe foi confiado, mas também se alegre com o aumento da boa grei.
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15 jan 16 mai 15 set |
ntes de tudo, que não trate com mais solicitude das coisas
transitórias, terrenas e caducas, negligenciando ou tendo em pouco a salvação
das almas que lhe foram confiadas, mas pense sempre que recebeu almas a
dirigir, das quais deverá também prestar contas. E para que não venha, porventura,
a alegar falta de recursos, lembrar-se-á do que esta escrito: "Buscai
primeiro reino de Deus e sua justiça, e todas as coisas vos serão dadas por
acréscimo"; e ainda: "Nada falta aos que O temem". E saiba que
quem recebeu almas a dirigir, deve preparar-se para prestar contas. Saiba como
certo que de todo o número de irmãos que tiver possuído sob seu cuidado, no dia
do juízo, deverá prestar contas ao Senhor das almas de todos eles, e mais, sem
dúvida também da sua própria alma. E assim, temendo sempre a futura apreciação
do pastor acerca das ovelhas que lhe foram confiadas enquanto cuida das contas
alheias, torna-se solícito para com a suas próprias, e enquanto com suas
exortações subministra a emenda aos outros, consegue ele próprio emendar-se de
seu vícios.
123.
O Abade Geral, eleito pelo Capítulo Geral, governa a Ordem segundo orientação
desse mesmo CapítuIo Geral e as normas das Constituições e promove os fins de
nossa união.
O Abade Geral é:
a) Promotor e o centro da unidade
fraterna na Ordem, em primeiro lugar porque, esforçando-se por ser justo e
imparcial, acha-se em condições de servir aos múltiplos costumes e de promover
e representar todas as famílias da Ordem. Ele considera como seus os valores e
os ideais da Ordem, tanto no seu modo pessoal de agir como nos atos oficiais.
Sente com a Ordem, tal como esta existe concretamente em nossas comunidades,
percebendo, de coração aberto, suas preocupações, tendências e opiniões.
b) O promotor e coordenador
dos projetos e resoluções comuns que excedem as forças particulares de cada
comunidade e congregação e são úteis a todos ou a muitos. Ele mesmo tem parte
ativa na formação e elaboração de tais projetos, estimula as iniciativas dos
outros e colabora para a sua execução por palavras e atos.
c) Usando de sua
autoridade, sancionada pelas Constituições, é, no serviço de todos, um pai e
ainda um irmão entre irmãos, segundo o espírito do Cristo, desejando antes
servir do que presidir. Nas cartas, sermões ou em outras comunicações à Ordem
use o estilo de um irmão, de um condiscípulo e conservo do Senhor, que procura,
juntamente com os outros irmãos, a verdade e a vontade de Deus. Possuindo da
convicção e da clarividência dos valores da vocação religiosa, esforce-se por
abrir aos monges e às comunidades, novas perspectivas e possibilidades e infundir-lhes
a confiança no futuro.
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16 jan 17 mai 16 set |
odas as vezes que deverem ser feitas coisas importantes no
mosteiro, convoque o Abade toda a comunidade e diga ele próprio de que se
trata. Ouvindo o conselho dos irmãos, considere consigo mesmo e faça o que
julgar mais útil. Dissemos que todos fossem chamados a conselho porque muitas
vezes o Senhor revela ao mais moço o que é melhor. Dêem pois os irmãos o seu
conselho com toda a submissão da humildade e não ousem defender arrogantemente
o seu parecer, e que a solução dependa antes do arbítrio do Abade, e todos lhe
obedeçam no que ele tiver julgado ser mais salutar; mas, assim como convém aos
discípulos obedecer ao mestre, também a este convém dispor todas as coisas com
prudência e justiça.
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17 jan 18 mai 17 set |
m tudo, pois, sigam todos a Regra como mestra, nem dela se
desvie alguém temerariamente. Ninguém, no mosteiro, siga a vontade do próprio
coração, nem ouse discutir insolentemente com seu abade, nem mesmo discutir
com ele fora do mosteiro. E, se ousar fazê-lo, seja submetido à disciplina
regular. No entanto, que o próprio abade faça tudo com temor de Deus e observância
da Regra, cônscio de que, sem dúvida alguma, de todos os seus juízos deverá dar
contas a Deus, justíssimo juiz. Se, porém, for preciso fazer alguma coisa de
menor importância dentre os negócios do mosteiro, use o Abade somente do
conselho dos mais velhos, conforme o que está escrito: "Faze tudo com
conselho e depois de feito não te arrependerás".
102. Havendo assuntos de
maior importância a tratar no mosteiro, principalmente nos casos previstos nas
Constituições das congregações ou no direito comum, o Capítulo conventual tem
atuação no governo da casa. Aí, por um ato verdadeiramente colegial, elege-se
o Abade e colegialmente se tomam as decisões relativas às atividades do
mosteiro, à admissão e formação dos novos elementos e à administração dos bens.
103. Mas a participação do
Capítulo não deve restringir-se unicamente aos casos em que, conforme o direito
comum ou particular, deve dar seus votos consultivos ou deliberativos; os
monges devem mais freqüentemente reunir-se para trocar idéias, para um
verdadeiro diálogo fraterno, a fim de que a sua colaboração e o seu zelo pelo
bem do mosteiro sejam eficazmente aproveitados[13]. O
Capítulo Conventual deve ser também o centro de informações dos assuntos do
mosteiro, da congregação e da Ordem, e aí ainda os oficiais exponham o que
tiverem realizado e os peritos tratem de assuntos da atualidade.
104. Haja uma seleção nos
assuntos a serem tratados em capítulo, feita com a ajuda do Conselho, que
assessora mais de perto o Abade, tomando-se em consideração os desejos e
questões propostos por qualquer um dos monges; sejam os assuntos notificados
aos capitulares com antecedência e no devido modo, para que eles tenham tempo
de estudar e de refletir. Quando for oportuno, as respostas sejam dadas por
escrito. A obrigação do segredo seja restrita aos assuntos que exigem absoluta
discrição, mas os monges, com os de fora, guardem sempre a máxima discrição
sobre os assuntos da família monástica.
105. Providenciem-se em cada
comunidade meios adequados para, habitualmente, sem demora e com exatidão, se
manterem os monges que residem fora do mosteiro, ao par dos assuntos da casa,
da congregação e da Ordem.
106. O Conselho do Abade,
mais restrito pelo número de seus membros que, geralmente, são chamados
"seniores"[14],
deve ser convocado para tratar de assuntos de necessidade ou utilidade da
família monástica e também dos assuntos que devem ser mantidos sob segredo. A
metade dos membros do Conselho deve ser eleita pela comunidade e a outra metade
nomeada pelo Abade.
107. Pondo em prática estes
princípios e conselhos, as comunidades poderão adquirir novo vigor. Serão
verdadeiras famílias unidas pela caridade[15] na
casa de Deus, verdadeiras legiões de irmãos bem disciplinados e alegres por uma
sólida união[16],
onde cada um, desempenhando o seu ofício, a todos serve e é por todos apoiado.
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18 jan 19 mai 18 set |
rimeiramente, amar ao Senhor
Deus de todo o coração, com toda a alma, com todas as forças.
Depois, amar ao próximo como a
si mesmo.
Em seguida, não matar.
Não cometer adultério.
Não furtar.
Não cobiçar.
Não levantar falso testemunho.
Honrar todos os homens.
E não fazer a outrem o que não
quer que lhe seja feito.
Abnegar-se a si mesmo para
seguir o Cristo.
Castigar o corpo.
Não abraçar as delícias.
Amar o jejum.
Reconfortar os pobres.
Vestir os nus.
Visitar os enfermos.
Sepultar os mortos.
Socorrer na tribulação.
Consolar o que sofre.
Fazer-se alheio às coisas do
mundo.
Nada antepor ao amor de Cristo.
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19 jan 20 mai 19 set |
ão satisfazer a ira.
Não reservar tempo para a
cólera.
Não conservar a falsidade no
coração.
Não conceder paz simulada.
Não se afastar da caridade.
Não jurar para não vir a
perjurar.
Proferir a verdade de coração e
de boca.
Não retribuir o mal com o mal.
Não fazer injustiça, mas
suportar pacientemente as que lhe são feitas.
Amar os inimigos.
Não retribuir com maldição aos
que o amaldiçoam, mas antes abençoá-los. Suportar perseguição pela
justiça.
Não ser soberbo.
Não ser dado ao vinho.
Não ser guloso.
Não ser apegado ao sono.
Não ser preguiçoso.
Não ser murmurador.
Não ser detrator.
Colocar toda a esperança em
Deus.
O que achar de bem em si,
atribuí-lo a Deus e não a si mesmo.
Mas, quanto ao mal, saber que é sempre
obra sua e a si mesmo atribuí-lo.
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20 jan 21 mai 20 set |
emer o dia do juízo.
Ter pavor do inferno.
Desejar a vida eterna com toda
a cobiça espiritual.
Ter diariamente diante dos olhos a morte
a surpreendê-lo.
Vigiar a toda hora os atos de
sua vida.
Saber como certo que Deus o vê
em todo lugar.
Quebrar imediatamente de
encontro ao Cristo os maus pensamentos que lhe advêm ao coração e revelá-los a
um conselheiro espiritual.
Guardar sua boca da palavra má
ou perversa.
Não gostar de falar muito.
Não falar palavras vãs ou que
só sirvam para provocar riso.
Não gostar do riso excessivo ou
ruidoso.
Ouvir de boa vontade as santas
leituras.
Dar-se freqüentemente à oração.
Confessar todos os dias a Deus
na oração, com lágrimas e gemidos, as faltas passadas e daí por diante
emendar-se delas.
Não satisfazer os desejos da
carne.
Odiar a própria vontade.
Obedecer em tudo às ordens do
Abade, mesmo que este, o que não aconteça, proceda de outra forma, lembrando-se
do preceito do Senhor: "Fazei o que dizem, mas não o que fazem".
Não querer ser tido como santo antes que o seja, mas
primeiramente sê-lo para que como tal o tenham com mais fundamento.
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21 jan 22 mai 21 set |
ôr em prática diariamente os
preceitos de Deus.
Amar a castidade.
Não odiar a ninguém. Não ter
ciúmes.
Não exercer a inveja.
Não amar a rixa.
Fugir da vanglória.
Venerar os mais velhos.
Amar os mais moços.
Orar, no amor de Cristo, pelos
inimigos.
Voltar à paz, antes do
pôr-do-sol, com aqueles com quem teve desavença.
E nunca desesperar da
misericórdia de Deus.
Eis aí os instrumentos da arte espiritual: se forem postos em
ação por nós, dia e noite, sem cessar, e devolvidos no dia do juízo, seremos recompensados
pelo Senhor com aquele prêmio que Ele mesmo prometeu: "O que olhos não
viram nem ouvidos ouviram preparou Deus para aqueles que o amam". São,
porém, os claustros do mosteiro e a estabilidade na comunidade a oficina onde
executaremos diligentemente tudo isso.
46. Deus nos chama não
apenas ao fim acima exposto, mas quer que empreguemos os meios que Ele nos preparou,
tais como os conselhos evangélicos, a vida comunitária Cisterciense, a vida de
oração, o amor à cruz e o serviço dos homens, pelo nosso trabalho.
47. Para seguirmos, de modo
especial a Cristo-Mestre como discípulos, abraçamos os conselhos evangélicos,
a fim de a Ele sempre mais nos unirmos e mais depressa e cada vez mais
intimamente segui-lo pelo caminho da conversão monástica.
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22 jan 23 mai 22 set |
primeiro grau da
humildade é a obediência sem demora. É peculiar àqueles que estimam nada haver
mais caro que o Cristo; por causa do santo serviço que professaram, por causa
do medo do inferno ou por causa da glória da vida eterna, desconhecem o que
seja demorar na execução de alguma coisa logo que ordenada pelo superior, como
sendo por Deus ordenada. Deles diz o Senhor: "Logo ao ouvir-me,
obedeceu-me". E do mesmo modo diz aos doutores: "Quem vos ouve a mim
ouve".
Pois são esses mesmos que, deixando imediatamente as coisas
que lhes dizem respeito e abandonando a própria vontade, desocupando logo as
mãos e deixando inacabado o que faziam, seguem com seus atos, tendo os passos
já dispostos para a obediência, a voz de quem ordena. E, como que num só
momento, ambas as coisas - a ordem recém-dada do mestre e a perfeita obediência
do discípulo - são realizadas simultânea e rapidamente, na prontidão do temor
de Deus. Apodera-se deles o desejo de caminhar para a vida eterna; por isso,
lançam-se como que de assalto ao caminho estreito do qual diz o Senhor:
"Estreito é o caminho que conduz à vida", e assim, não tendo, como
norma de vida a própria vontade, nem obedecendo aos próprios desejos e
prazeres, mas caminhando sob o juízo e domínio de outro e vivendo em
comunidade, desejam que um Abade lhes presida. Imitam, sem dúvida, aquela
máxima do Senhor que diz: "Não vim fazer minha vontade, mas a d’Aquele que
me enviou".
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23 jan 24 mai 23 set |
as essa mesma obediência somente será digna da aceitação de
Deus e doce aos homens, se o que é ordenado for executado sem tremor, sem
delongas, não mornamente, não com murmuração, nem com resposta de quem não
quer. Porque a obediência prestada aos superiores é tributada a Deus. Ele
próprio disse: "Quem vos ouve, a mim me ouve". E convém que seja
prestada de boa vontade pelos discípulos, porque "Deus ama aquele que dá
com alegria". Pois, se o discípulo obedecer de má vontade e se murmurar,
mesmo que não com a boca, mas só no coração, ainda que cumpra a ordem, não será
mais o seu ato aceito por Deus que vê seu coração a murmurar; e por tal ação
não consegue graça alguma, e, ainda mais, incorre no castigo dos murmuradores
se não se emendar pela satisfação.
52. A obediência significa,
antes de tudo, ter o coração aberto para receber as inspirações do Espírito
Santo, porque Ele sopra onde quer e nos torna conhecida a vontade de Deus por
muitos modos. Como o alimento de Cristo era fazer a vontade dAquele que o
enviara, assumindo a forma de servo e fazendo-se obediente até a morte de cruz[17],
assim também nós, que queremos seguir a Cristo mais de perto, devemos procurar
conhecer a vontade do Pai para cumprí-Ia prontamente.
É a Igreja que, freqüentemente, nos transmite a vontade
de Deus, na doutrina e exortações dos Sumos Pontífices, da Santa Sé, dos bispos
e abades, que devem não apenas orientar a nossa vida exterior, mas também
plasmar a nossa espiritualidade.
53. Os monges, desejando em espírito de fé e
de amor, fazer a vontade de Deus, querem ter o abade, que ocupa o lugar do Cristo[18],
como seu Pai espiritual e humildemente lhe obedecer conforme a Regra e as
Constituições. Colocam seus dotes de inteligência e de vontade na execução das
ordens e na realização dos trabalhos que lhe são confiados, certos de, assim,
colaborarem para a edificação do Corpo de Cristo, segundo o plano de Deus. A
obediência religiosa, desse modo, longe de diminuir a dignidade da pessoa
humana, a leva à maturidade, pela liberdade dos filhos de Deus.
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24 jan 25 mai 24 set |
açamos o que diz o profeta: "Eu disse, guardarei os meus
caminhos para que não peque pela língua: pus uma guarda à minha boca: emudeci,
humilhei-me e calei as coisas boas". Aqui mostra o Profeta que, se, às
vezes, se devem calar mesmo as boas conversas, por causa do silêncio, quanto
mais não deverão ser suprimidas as más palavras, por causa do castigo do
pecado? Por isso, ainda que se trate de conversas boas, santas e próprias a
edificar, raramente seja concedida aos discípulos perfeitos licença de falar,
por causa da gravidade do silêncio, pois está escrito: "Falando muito não
foges ao pecado", e em outro lugar: "a morte e a vida estão em poder
da língua". Com efeito, falar e ensinar compete ao mestre; ao discípulo
convém calar e ouvir.
Por isso, se
é preciso pedir alguma coisa ao superior, que se peça com toda a humildade e
submissão da reverência. Já quanto às brincadeiras, palavras ociosas e que
provocam riso, condenamo-las em todos os lugares a uma eterna clausura, para
tais palavras não permitimos ao discípulo abrir a boca.
48. A castidade
voluntária, escolhida por causa do Reino de Deus, não é mera renúncia ao
matrimônio[19]
e às alegrias da família natural, mas uma libertação para que, com todas as
nossas forças físicas e psíquicas, nos entreguemos às coisas de Deus e da
Igreja. Pela profissão religiosa, queremos, de um modo mais direto e íntimo,
dar testemunho da expectativa cristã do século futuro, onde não há matrimônio[20]. Por
isso, a castidade é um notável sinal escatológico da nossa vida.
49. Essa consagração total
a Deus deve fornecer o alicerce para a edificação da família monástica. Nessa
família de Deus, a caridade comum e a mesma vocação dão origem à dileção
fraterna e ao auxílio mútuo de seus membros. Por um lado, devemos, assim,
carregar fielmente os fardos uns dos outros[21], e,
por outro lado, todos participarmos das graças e virtudes nos quais cada um se
distingue. Abraçamos, então, de um modo esplêndido, o caminho comunitário da
salvação que Deus mesmo abriu na Igreja para os homens. Deus abre então os
nossos corações para que possamos amar com sincera e operosa caridade todos os
que nos cercam, em primeiro lugar nossos irmãos e irmãs no mosteiro.
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25 jan 26 mai
25 set |
rmãos, a Escritura divina nos clama dizendo: "Todo
aquele que se exalta será humilhado e todo aquele que se humilha será
exaltado". Indica-nos com isso que toda elevação é um gênero da soberba,
da qual o Profeta mostra precaver-se quando diz: "Senhor, o meu coração
não se exaltou, nem foram altivos meus olhos; não andei nas grandezas, nem em
maravilhas acima de mim. Mas, que seria de mim se não me tivesse feito humilde,
se tivesse exaltado minha alma? Como aquele que é desmamado de sua mãe, assim
retribuirias a minha alma.
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26 jan 26 mai 26 set |
e, portanto, irmãos, queremos atingir o cume da suma
humildade e se queremos chegar rapidamente àquela exaltação celeste para a
qual se sobe pela humildade da vida presente, deve ser erguida, pela ascensão
de nossos atos, aquela escada que apareceu em sonho a Jacó, na qual lhe eram
mostrados anjos que subiam e desciam. Essa descida e subida, sem dúvida, outra
coisa não significa, para nós, senão que pela exaltação se desce e pela
humildade se sobe. Essa escada ereta é a nossa vida no mundo, a qual é elevada
ao céu pelo Senhor, se nosso coração se humilha. Quanto aos lados da escada,
dizemos que são o nosso corpo e alma, e nesses lados a vocação divina inseriu,
para serem galgados, os diversos graus da humildade e da disciplina.
65. A vida do monge deve
ser uma imitação do Cristo humilde. Sinceramente arrependidos de nossos
pecados, cônscios de nossas limitações e, ao mesmo tempo, apoiados na
misericórdia de Deus, devemos procurar a Sua glória e não a nossa. Nesse
espírito de humildade, devemos aceitar, com serenidade, as tribulações e
privações, e contentarmo-nos com nossos modestos meios de vida e nossos módicos
resultados.
A vida monástica só pode existir sob o sinal da cruz,
pois, seguindo a caridade de Cristo, que ninguém pode superar, entramos no
caminho da renúncia e mortificamos o nosso corpo para servirmos o Deus vivo.
Como o Cristo convidou seus discípulos a carregar a cruz, também a isso nos convida
diariamente.
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27 jan 28 mai 27 set |
ssim, o primeiro grau da humildade consiste em que, pondo
sempre o monge diante dos olhos o temor de Deus, evite, absolutamente, qualquer
esquecimento, e esteja, ao contrário, sempre lembrado de tudo o que Deus
ordenou, revolva sempre, no espírito, não só que o inferno queima, por causa de
seus pecados, os que desprezam a Deus, mas também que a vida eterna está
preparada para os que temem a Deus; e, defendendo-se a todo tempo dos pecados e
vícios, isto é, dos pecados do pensamento, da língua, das mãos, dos pés e da
vontade própria, como também dos desejos da carne, considere-se o homem visto
do céu, a todo momento, por Deus, e suas ações vistas em toda parte pelo olhar
da divindade e anunciadas a todo instante pelos anjos. Mostra-nos isso o
Profeta quando afirma estar Deus sempre presente aos nossos pensamentos:
"Deus que perscruta os corações e os rins". E também: "Deus
conhece os pensamentos dos homens". E ainda: "De longe percebestes
os meus pensamentos" e "o pensamento do homem vos será confessado".
Portanto, para que esteja vigilante quanto aos seus pensamentos maus, diga
sempre, em seu coração, o irmão empenhado em seu próprio bem: "se me preservar
da minha iniqüidade, serei, então, imaculado diante d’Ele".
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28 jan 29 mai 28 set |
ssim, é-nos proibido fazer a própria vontade, visto que nos
diz a Escritura: "Afasta-te das tuas próprias vontades". E, também,
porque rogamos a Deus na oração que se faça em nós a sua vontade.
Aprendemos,
pois, com razão, a não fazer a própria vontade, enquanto nos acautelamos com
aquilo que diz a Escritura: "Há caminhos considerados retos pelos homens
cujo fim mergulha até o fundo do inferno", e enquanto, também, nos
apavoramos com o que foi dito dos negligentes: "Corromperam-se e
tornaram-se abomináveis nos seus prazeres". Por isso, quando nos achamos
diante dos desejos da carne, creiamos que Deus está sempre presente junto a
nós, pois disse o Profeta ao Senhor: "Diante de vós está todo o meu desejo".
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29 jan 30 mai 29 set |
evemos, portanto, acautelar-nos contra o mau desejo, porque a
morte foi colocada junto à porta do prazer. Sobre isso a Escritura preceitua
dizendo: "Não andes atrás de tuas concupiscências". Logo, se os olhos
do Senhor "observam os bons e os maus", e "o Senhor sempre olha
do céu os filhos dos homens para ver se há algum inteligente ou que procura a
Deus" e se, pelos anjos que nos foram designados, todas as coisas que fazemos
são, cotidianamente, dia e noite, anunciadas ao Senhor, devemos ter cuidado,
irmãos, a toda hora, como diz o Profeta no salmo, para que não aconteça que
Deus nos veja no momento em que caímos no mal, tornando-nos inúteis, e para
que, vindo a poupar-nos nessa ocasião porque é Bom e espera sempre que nos
tornemos melhores, não venha a dizer-nos no futuro: "Fizeste isto e
calei-me".
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30 jan 31 mai 30 set |
segundo grau da
humildade consiste em que, não amando a própria vontade, não se deleite o monge
em realizar os seus desejos, mas imite nas ações aquela palavra do Senhor:
"Não vim fazer a minha vontade, mas a d’Aquele que me enviou". Do
mesmo modo, diz a Escritura: "O prazer traz consigo a pena e a necessidade
gera a coroa".
66. A participação à cruz
de Cristo a que somos chamados, consiste freqüentemente no seguinte :
-
humilhar-se, fugir da vanglória e ambições egoístas;
-
realizar bem o trabalho de todos os dias, que muitas vezes exigem de nós tantos
sacrifícios que podem, merecidamente, ser comparados com as austeridades da
vida monástica antiga;
-
ter paciência, pois ela nos permite suportar com bom espírito, as nossas
enfermidades do corpo e da alma, as fraquezas de nossas faculdades e o peso da
vida comum;
-
amar os nossos inimigos, os que nos perseguem e caluniam;
- aceitar a velhice e a morte, manifestando assim, o mais
possível, a nossa fé e esperança na vida eterna.
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31 jan 1 jun 1 out |
terceiro grau da
humildade consiste em que, por amor de Deus, se submeta o monge, com inteira obediência
ao superior, imitando o Senhor, de quem disse o Apóstolo: "Fez-se
obediente até a morte".
67. Além disso, como no
batismo prometemos resistir e renunciar a Satanás e a todas as suas pompas,
queremos, na vida monástica, fugir do mundo enquanto este se acha sob o poder
do demônio, renunciar aos desejos dos olhos, à concupiscência da carne e à
soberba da vida. Essa fuga do mundo consiste primeiramente na renúncia interior
ao espírito do século, que não tem esperança alguma de algo após a morte e nada
valoriza mais do que os prazeres do corpo e do espírito.
A separação exterior do "mundo" - que se faz em
graus diversos e de diversos modos em nossas comunidades - é um sinal e meio
dessa renúncia interior.
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1 fev 2 jun 2 out |
quarto grau da
humildade consiste em que, no exercício dessa mesma obediência abrace o monge a
paciência, de ânimo sereno, nas coisas duras e adversas, ainda mesmo que se
lhe tenham dirigido injúrias, e, suportando tudo, não se entregue nem se vá
embora, pois diz a Escritura: "Aquele que perseverar até o fim será salvo".
E também: "Que se revigore o teu coração e suporta o Senhor". E a fim
de mostrar que o que é fiel deve suportar todas as coisas, mesmo as adversas,
pelo Senhor, diz a Escritura, na pessoa dos que sofrem: "Por vós, somos entregues
todos os dias à morte; somos considerados como ovelhas a serem
sacrificadas". Seguros na esperança da retribuição divina, prosseguem
alegres dizendo: "Mas superamos tudo por causa daquele que nos amou".
Também, em outro lugar, diz a Escritura: "Ó Deus, provastes-nos, experimentastes-nos
no fogo, como no fogo é provada a prata: induzistes-nos a cair no laço,
impusestes tribulações sobre os nossos ombros". E para mostrar que
devemos estar submetidos a um superior, continua: "Impusestes homens sobre
nossas cabeças". Cumprindo, além disso, com paciência o preceito do
Senhor nas adversidades e injúrias, se lhes batem numa face, oferecem a outra;
a quem lhes toma a túnica cedem também o manto; obrigados a uma milha, andam
duas; suportam, como Paulo Apóstolo, os falsos irmãos e abençoam aqueles que os
amaldiçoam.
68. O amor à cruz e nossa
decidida oposição ao espírito deste mundo não nos deve tornar indiferentes aos
verdadeiros valores profanos, que devem ser postos a serviço do reino de Deus.
Os valores técnicos, econômicos, sociais e culturais de modo algum nos são
alheios, pois o seu cultivo tanto enriquece nossa vida como nos integra na
comunidade da família humana.
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2 fev 3 jun
3 out |
quinto grau da
humildade consiste em não esconder o monge ao seu Abade todos os maus
pensamentos que lhe vêm ao coração, ou o que de mal tenha cometido
ocultamente, mas em lho revelar humildemente, exortando-nos a este respeito a
Escritura quando diz: "Revela ao Senhor o teu caminho e espera nele".
E quando diz ainda: "Confessai ao Senhor porque ele é bom, porque sua
misericórdia é eterna". Do mesmo modo o Profeta: "Dei a conhecer a
Vós a minha falta e não escondi as minhas injustiças. Disse: acusar-me-ei de
minhas injustiças diante do Senhor, e perdoastes a maldade de meu coração".
116. A Carta da Caridade
estabelecia a visita anual a ser feita pelo Abade do mosteiro fundador ou por
seu delegado, conforme a lei de filiação. Seu fim era afervorar e, quando
necessário, corrigir fraternalmente na caridade. A visita anual era o eixo da
estrutura jurídica da Ordem, muito apreciada por todos, mesmo fora da Ordem, e,
sem dúvida, muito contribuiu para consolidar e promover a vida dos mosteiros.
O visitador, terminadas as consultas aos monges, pode,
freqüentemente, dar ótimos conselhos ao Abade, despertar sua atenção para
assuntos e problemas que talvez este não tenha percebido ou para outros cuja
con-catenação e aspectos pessoais ele não veja com clareza. Caso o visitador
perceba que no mosteiro são negligenciados os preceitos de nossa Ordem,
esforce-se por corrigir com caridade, de acordo com o Abade Iocal.
A lei da filiação ainda vigora hoje em alguns lugares. Em
lugar do antigo parentesco, quase natural, que a filiação representava, existe
hoje, na maioria dos casos, a união dos mosteiros em Congregações, onde,
geralmente, o visitador ordinário é o Abade Presidente da Congregação, exceto
nos casos onde vigora a lei da filiação e onde as Constituições da respectiva
Congregação regulam o assunto de outro modo.
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3 fev 4 jun 4 out |
sexto grau da
humildade consiste em que esteja o monge contente com o que há de mais vil e
com a situação mais extrema e, em tudo que lhe seja ordenado fazer, se
considere mau e indigno operário, dizendo-se a si mesmo com o Profeta:
"Fui reduzido a nada e não o sabia; tornei-me como um animal diante de
Vós, porém estou sempre convosco".
117. O fim das visitas ainda
hoje é o mesmo de outrora, mesmo se o modo de realizá-las deva ser adaptado às
novas situações. Sejam tais visitas realizadas freqüentemente, também hoje em
dia, mesmo que não sejam canônicas, para atender a tempo as necessidades dos
mosteiros. O visitador, evidentemente, não é um legislador, nem um
"reformador", mas deve levar todos a um exame de consciência. A
solução dos problemas dificilmente se faz por imposições, mas só por uma
convicção interior. E isto exige muito, tanto do visitador como dos que são
visitados. O visitador, cujo múnus é, antes de tudo, um serviço de caridade,
esforce-se primeiramente por conhecer o estado psicológico da comunidade.
Deverá também respeitar a legítima autonomia do mosteiro e os seus próprios
fins, legitimamente aprovados, para que a visita traga ao mosteiro um
verdadeiro incremento.
Os monges visitados devem abrir-se, com humildade e
sinceridade, procurando verdadeiramente o bem das almas e o progresso da
comunidade no serviço de Deus. Compreendam também os vários limites da visita,
isto é, o legítimo âmbito dos assuntos dentro dos quais o visitador pode agir
e as reais possibilidades de sua intervenção. Freqüentemente a visita não dá
resultados por causa da inconsiderada e infundada esperança de muitos membros
da comunidade, que, pedindo ao visitador coisas irrealizáveis, logo se declaram
decepcionados.
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4 fev 5 jun
5 out |
sétimo grau da
humildade consiste em que o monge se diga inferior e mais vil que todos, não só
com a boca, mas que também o creia no íntimo pulsar do coração, humilhando-se e
dizendo com o Profeta: "Eu, porém, sou um verme e não um homem, a vergonha
dos homens e a abjeção do povo: exaltei-me, mas, depois fui humilhado e confundido".
E ainda: "É bom para mim que me tenhais humilhado, para que aprenda os
vossos mandamentos".
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5 fev 6 jun 6 out |
oitavo grau da
humildade consiste em que só faça o monge o que lhe exortam a Regra comum do
mosteiro e os exemplos de seus maiores.
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6 fev 7 jun 7 out |
nono grau da humildade
consiste em que o monge negue o falar a sua língua, entregando-se ao silêncio;
nada diga, até que seja interrogado, pois mostra a Escritura que "no muito
falar não se foge ao pecado" e que "o homem que fala muito não se
encaminhará bem sobre a terra".
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7 fev 8 jun 8 out |
décimo grau da
humildade consiste em que não seja o monge fácil e pronto ao riso, porque está
escrito: "O estulto eleva sua voz quando ri".
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8 fev 9 jun 9 out |
undécimo grau da
humildade consiste em, quando falar, fazê-lo o monge suavemente e sem riso,
humildemente e com gravidade, com poucas e razoáveis palavras e não em alta
voz, conforme o que está escrito: "O sábio manifesta-se com poucas
palavras".
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9 fev 10 jun 10 out |
duodécimo grau da
humildade consiste em que não só no coração tenha o monge a humildade, mas a
deixe transparecer sempre, no próprio corpo, aos que o vêem, isto é, que no
ofício divino, no oratório, no mosteiro, na horta, quando em caminho, no campo
ou onde quer que esteja, sentado, andando ou em pé, tenha sempre a cabeça
inclinada, os olhos fixos no chão, considerando-se a cada momento culpado de
seus pecados, tenha-se já como presente diante do tremendo juízo de Deus,
dizendo-se a si mesmo, no coração, aquilo que aquele publicano do Evangelho
disse, com os olhos pregados no chão: "Senhor, não sou digno, eu pecador,
de levantar os olhos aos céus". E ainda, com o Profeta: "Estou
completamente curvado e humilhado".
Tendo, por
conseguinte, subido todos esses degraus da humildade, o monge atingirá logo,
aquela caridade de Deus, que, quando perfeita, afasta o temor; por meio dela
tudo o que observava antes não sem medo começará a realizar sem nenhum labor,
como que naturalmente, pelo costume, não mais por temor do inferno, mas por
amor de Cristo, pelo próprio costume bom e pela deleitação das virtudes.
Eis o que,
no seu operário, já purificado dos vícios e pecados, se dignará o Senhor
manifestar por meio do Espírito Santo.
10. A fonte mais
importante e mais rica de nossa vida é a ação e a inspiração do Espírito Santo
em nós. Cremos firmemente que o Espírito Santo opera em nós e nos inflama o
coração para melhor conhecermos a vontade de Deus e mais prontamente segui-Ia.
Nada nos é tão necessário como visualizar com lealdade, sob a luz do Espírito
Santo, a nossa vida e a nossa vocação e atender solicitamente as suas
inspirações. Sua operação, embora misteriosa, manifesta-se principalmente na
fraterna concórdia dos membros de uma comunidade que sinceramente procuram
conhecer a vontade de Deus e criar formas adequadas e dignas do serviço de
Deus. Uma troca de idéias nobre e aberta, uma sincera deliberação em comum, a
cooperação responsável de todos os membros são os meios principais através dos
quais se manifestam a ação e a inspiração do Espírito Santo.
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10 fev 11 jun 11 out |
m tempo de inverno, isto é, de primeiro de novembro até a
Páscoa, em consideração ao que é razoável, devem os monges levantar-se à oitava
hora da noite de modo que durmam um pouco mais da metade da noite e se levantem
tendo já feita a digestão. O tempo que resta depois das Vigílias seja empregado
na preparação de algum trecho do saltério ou das lições, por parte dos irmãos
que disto necessitarem. Da Páscoa, porém, até o referido dia primeiro de
novembro, seja regulada a hora de tal maneira que as Matinas que devem ser celebradas
quando começa a clarear, venham em seguida ao ofício das Vigílias, depois de
brevíssimo intervalo, durante o qual os irmãos saem para as necessidades
naturais.
18. Nossa Ordem - como toda pessoa física e
moral - conserva em si o seu passado, carrega a hereditariedade e o peso, não
só de sua história, nas origens de Cister, mas também da história de todo o
monaquismo, cujas raízes remontam aos primeiros séculos do cristianismo. Será,
por isso, útil, recordar brevemente as principais etapas da história do
monaquismo e a importância de cada uma delas[22].
19. As formas primitivas da vida monástica
existiam desde os primeiros tempos da Igreja (confessores e virgens, a cuja
vida alguns dão o nome de "monaquismo doméstico"). No século lII,
além da citada forma, aparecem os anacoretas e cenobitas em toda a Igreja e,
desde o século IV foram escritas regras para estatuir a vida das novas
instituições monásticas e para transmitir as experiências dos "Pais
espirituais". Mas o Evangelho permanecia a "Regra não
regulamentada", à qual todas as regras se submetiam[23].
20. Entre essas regras, ocupa lugar de
destaque a Regra de São Bento. O Sto. Patriarca resume na sua "mínima
regra de iniciação"[24] as
outras regras - Segundo ela, o mosteiro é a "escola do serviço do
Senhor"[25],
na qual a comunidade, sob a paternidade do Cristo[26], do
qual o Abade faz as vezes, guiada pelo Evangelho, trilha o caminho dos
mandamentos de Deus, no serviço fraterno, no equilíbrio harmônico do Opus Dei,
da lectio divina e do trabalho, além de outros exercícios.
21. A Regra, que diz respeito à ordem das
atividades no interior do mosteiro, recebe um certo complemento da "Vida
de São Bento", que nos é narrada nos Diálogos de São Gregório. Embora não
seja estritamente histórica em todos os detalhes[27],
revela-nos como segundo a tradição o próprio Patriarca acolhia os que vinham ao
mosteiro e como procedia fora do claustro. Com efeito, S.Gregório conta-nos que
S.Bento, "com perseverante pregação, instruiu na fé a multidão dos que
viviam na sua vizinhança" e que também enviou seus monges à aldeia vizinha
"para exortar os fiéis"[28]
.
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11 fev 12 jun 12 out |
o tempo de inverno acima citado, diga-se em primeiro lugar o
versículo, repetido três vezes: "Senhor, abrireis os meus lábios e minha
boca anunciará vosso louvor", ao qual deve ser acrescentado o salmo terceiro
e o "Glória". Depois desse, o salmo nonagésimo quarto, com antífona,
ou então cantado. Segue-se o Ambrosiano e depois seis salmos com antífonas.
Recitados esses e dito o versículo, o Abade dê a bênção; depois, achando-se
todos sentados nos bancos sejam lidas pelos irmãos, um de cada vez, três lições
do livro que está sobre a estante. Entre elas cantem-se três responsórios. Dois
destes responsórios são ditos sem "Glória", porém, depois da terceira
lição, quem está cantando diga o "Glória". Quando esse começar,
levantem-se logo todos de seus assentos em honra e reverência à Santíssima
Trindade. Leiam-se, nas Vigílias, os livros de autoria divina, tanto do Antigo
como do Novo Testamento, e também as exposições que sobre eles fizeram os Padres
católicos conhecidos e ortodoxos. A essas três lições com seus responsórios,
sigam-se os seis salmos restantes cantados com "Aleluia". Vêm, em
seguida, a lição do Apóstolo, que deve ser recitada de cor, o versículo e a
súplica da litania, isto é, "Kyrie eleison", e assim terminem as
Vigílias noturnas.
22. A Regra de S. Bento não
era a única e não era universalmente observada até o tempo de S.Bento de Aniano
(época "regulae mixtae"). Nessa época, no entanto, ela é adotada,
paulatinamente, em quase todos os mosteiros do lmpério de Carlos Magno. Com
isto, apareceu certa uniformidade de vida no monaquismo ocidental, que pode ser
chamado de "Beneditino" .
Os Sínodos dos séculos IX a X, esforçaram-se por
distinguir, claramente, os monges dos cônegos regulares, mas com pouco resultado,
pois crescia sempre mais o número de monges que recebiam os ordens sacras e
assim passavam para o estado clerical, enquanto os cônegos regulares ordenavam
a própria vida pelos usos monásticos. Ainda mais; o monaquismo dos séculos X e
XI, perdendo a simplicidade da vida monacal, aumentava a duração e os elementos
dos atos litúrgicos na vida monástica, de modo que se perdeu inteiramente o
equilíbrio entre a oração e o trabalho[29].
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12 fev 13 jun 13 out |
a Páscoa até primeiro de novembro, mantenha-se, quanto à
salmodia, a mesma medida acima determinada; as lições do livro, porém, por
causa da brevidade das noites, não são lidas; em lugar dessas três lições, seja
recitada de memória uma do Antigo Testamento, seguida de responsório breve, e
cumpram-se todas as outras coisas como ficou dito acima, isto é: que nunca se
digam nas Vigílias noturnas, menos de doze salmos além do terceiro e do
nonagésimo quarto.
23. No decorrer, no
entanto, do século XI, apareceram novos movimentos espirituais entre os monges
(e os cônegos), com o fim de retornar à verdadeira pobreza evangélica, ao
trabalho manual, à pureza da Regra e às autênticas fontes do monaquismo antigo.
Cister foi fundada para tal fim. Os fundadores do
"Novo Mosteiro" restabeleceram o equilíbrio entre a vida litúrgica e
o trabalho, embora não tivesse voltado à letra da Regra - do todo. Realmente,
várias funções litúrgicas, desconhecidas no tempo de S. Bento, e posteriormente
introduzidas (como, por exemplo, a missa conventual cotidiana) foram conservadas
e mudaram, assim, a ordem do dia. Receberam, além disso, os irmãos conversos,
porque diziam ser-lhes impossível, sem eles , "observar os preceitos da
Regra dia e noite"[30].
Isto atesta que eles mesmos compreendiam então a Regra em muitos pontos, não
no seu sentido histórico do século VI, mas conforme os comentários posteriores.
Os mosteiros fundados por Cister e suas filiais foram,
desde o início, abadias independentes, unidas entre si, conforme estabelecia a
Carta da Caridade. Seus abades reuniam-se anualmente em Cister para o Capítulo
Geral, a fim de promover o bem espiritual dos monges a eles confiados.
Desde os primeiros decênios do século XII, os abades da nossa Ordem promoveram fundações de mosteiros de monjas e lhes prestaram ajuda para que pudessem orientar a própria vida. Até o ano de 1184, os mosteiros masculinos e femininos, estavam sob a jurisdição dos bispos. Após ter obtido a isenção, muitos mosteiros de monjas foram incorporados à Ordem.
No início, as abadessas fundadoras visitavam regularmente
as abadias por elas fundadas e estas celebravam os próprios capítulos. No
entanto, por causa de lei da clausura, que na Idade Média se tornou cada vez
mais rigorosa, principalmente para as monjas, a visita passou a ser feita pelo
pai imediato e os capítulos das Abadessas, porém, não se celebraram mais.
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13 fev 14 jun 14 out |
os domingos, levante-se mais cedo para as Vigílias, nas quais
se mantenha a mesma medida já referida, isto é: modulados, conforme dispusemos
acima, seis salmos e o versículo, e estando todos convenientemente e pela
ordem assentados nos bancos, leiam-se no livro, como já mencionamos, quatro
lições com seus responsórios; só o quarto responsório é dito por quem está
cantando o "Gloria", ao começo do qual se levantem todos com
reverência. A essas lições sigam-se, por ordem, outros seis salmos com
antífonas, como os anteriores, e o versículo. Terminados esses, voltam-se a
ler outras quatro lições com seus responsórios, na mesma ordem que acima. Em
seguida, digam-se três cânticos dos Profetas que o Abade determinar, os quais
sejam salmodiados com "Aleluia". Dito também o versículo, sejam
lidas com a bênção do Abade outras quatro lições do Novo Testamento, na mesma
ordem que acima. Depois do quarto responsório o abade entoa o hino "Te
Deum laudamus". Uma vez terminado, leia o Abade o Evangelho, permanecendo
todos de pé com reverência e temor. Quando essa leitura terminar, respondam
todos: "Amém"; e o abade prossegue logo com o hino "Te decet
laus", e, dada a bênção, comecem as Matinas. Essa disposição das Vigílias
para o domingo deve ser mantida, como está, em todo tempo, tanto no verão
quanto no inverno, a não ser que, por acaso, e que tal não aconteça, os monges
se levantem mais tarde e se tenha de abreviar algo das lições ou dos responsórios.
Haja, porém, todo o cuidado para que isso não venha a suceder; se, porém, acontecer,
satisfaça dignamente a Deus no oratório, aquele por cuja culpa veio esse fato a
verificar-se.
24. Crescendo a Ordem, com
a rapidíssima fundação de centenas de abadias e a incorporação de diversas
Congregações (as Congregações de Saviniaco e de Obazina, ainda em vida de S.
Bernardo), a semelhança dos costumes[31], que
existia inicialmente, se foi diversificando, lenta e imperceptivelmente. A
transformação da vida social, intelectual e política não deixou também de
influir na evolução da Ordem. Por isso, o Capítulo Geral empenhava-se sempre em
adaptar a legislação da Ordem às novas exigências, não vacilando, no século
XII, em retocar, várias vezes e profundamente, também a Carta de Caridade[32].
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14 fev 15 jun 15 out |
as Matinas de domingo, diga-se em primeiro lugar o salmo
sexagésimo sexto, sem antífona, em tom direto. Diga-se, depois, o
quinquagésimo, com "Aleluia". Em seguida, o centésimo décimo sétimo
e o sexagésimo segundo; seguem-se então os "Benedicite", e os
"Laudate", uma lição do Apocalipse de cor, o responsório, o
ambrosiano, o versículo, o cântico do Evangelho, a litania, e está terminado.
25.
O grande número dos abades no Capítulo Geral levou ainda à criação do
Definitório, que recebeu sua forma definitiva em 1265[33] e a
conservou até a Revolução Francesa . Por esse motivo, como também por causa das
guerras e outras dificuldades, os abades começaram a comparecer mais raramente
ao Capítulo Geral. Nessa mesma ocasião, a vida Cisterciense tomou novas formas
em várias regiões, principalmente na Europa Central e Oriental e também em
Portugal.
A essas razões, no decurso dos tempos, acrescentaram-se
outras, políticas e eclesiásticas, como a instituição da comenda, que exigiam
novas soluções nas diversas regiões. Nasceram assim as diversas Congregações na
Ordem (a Castelhana, em 1425; a Congregação de São Bernardo, na Itália, em
1498; a Lusitana, em 1567, por atos dos Romanos Pontífices; no século XVII,
também com a colaboração do Capítulo Geral, as Congregações Calabro-Lucana,
Romana e as da Aragônia e da Germânia Superior)[34].
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15 fev 16 jun 16 out |
os dias comuns, porém, a solenidade das Matinas seja assim
realizada, a saber: recita-se o salmo sexagésimo sexto sem antífona, um tanto
lentamente, como no domingo, de modo que todos cheguem para o quinquagésimo, o
qual deve ser recitado com antífona. Depois desse, recitem-se outros dois
salmos, segundo o costume, isto é, segunda-feira, o quinto e o trigésimo
quinto; terça-feira, o quadragésimo segundo e o quinquagésimo sexto;
quarta-feira, o sexagésimo terceiro e o sexagésimo quarto; quinta-feira, o
octogésimo sétimo e o octogésimo nono; sexta-feira, o septuagésimo quinto e o
nonagésimo primeiro; sábado, o centésimo quadragésimo segundo e o cântico do
Deuteronômio, que deve ser dividido em dois "Gloria". Nos outros
dias, diga-se um cântico dos Profetas, um para cada dia, como canta a Igreja Romana.
A esses seguem-se os "Laudate", depois uma lição do Apóstolo
recitada de memória, o responsório, o ambrosiano, o versículo, o cântico do
Evangelho, a litania, e está completo.
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16 fev 17 jun 17 out |
ão termine, de forma alguma, o ofício da manhã ou da tarde
sem que o superior diga, em último lugar, por inteiro e de modo que todos
ouçam, a oração dominical, por causa dos espinhos de escândalos que costumam
surgir, de maneira que, interpelados os irmãos pela promessa da própria oração
que estão rezando: "perdoai-nos assim como nós perdoamos", se
preservem de tais vícios. Nos demais ofícios diga-se a última parte dessa
oração, de modo a ser respondido por todos: "Mas livrai-nos do mal".
26. Nesses séculos,
crescia sempre mais a importância dada ao sacerdócio e vários mosteiros
assumiram diversos encargos do ministério pastoral. Após o Concílio Tridentino,
em muitas partes da Ordem, a cura pastoral nas paróquias obteve a primazia no
trabalho e se tornou a principal ocupação de muitos monges sacerdotes[35].
27. A educação da juventude
nas escolas tem longas e sólidas raízes na tradição monástica antiga e, embora
os primeiros Cistercienses se tenham negado ao trabalho educacional, por causa
das circunstâncias daquele tempo, posteriormente, no entanto, também esse
trabalho foi admitido entre nós, sob diversas formas. A tarefa de ensinar nas
escolas públicas oficiais foi assumida por muitos mosteiros, principalmente a
partir do século XVIII, quando teve início o moderno sistema de educação[36].
28. Grandes prejuízos
sofreu a Ordem no século XVI, com a Reforma Luterana e suas conseqüências, mas
a partir do século XVII começou a reflorescer[37], de
novo, em muitas regiões. Nessa época, as abadias que, pela aceitação da cura
pastoral e de escolas se tinham tornado solidárias dos trabalhos e das
solicitudes das igrejas locais, esforçavam-se por adaptar, em grande parte, a
própria vida aos novos encargos. Porém, Revolução Francesa, o Josephinismo e as
secularizações que se lhe seguiram imediatamente, destruíram radicalmente a
maior parte dos mosteiros e a organização da Ordem.
Tendo sido supresso o mosteiro de Cister,
como as Constituições da Ordem não fossem aptas para superar as dificuldades e
como não havia possibilidade de convocar o Capítulo Geral, o direito
constitucional antigo da Ordem foi substancialmente mudado. Após a morte do
Abade de Cister, a Santa Sé viu-se profundamente preocupada e conseguiu prover
apenas de modo provisório às necessidades da Ordem. Porém, Pio VII, ao voltar
da França para Roma, onde Napoleão o mantivera preso por algum tempo, nomeou o
Abade Presidente da Congregação de S.Bernardo na Itália Superior da Ordem
Cisterciense até 1880. Sem dúvida, a jurisdição deste Abade foi feita quase
unicamente para que ele pudesse confirmar os Abades neo-eleitos da Observância
mais estrita. Esta decisão foi tomada para que se conservasse a unidade da
Ordem.
Quando, em 1834, foi erigida pelo Sumo Pontífice a
primeira Congregação da B.M.V. da Trappa, claramente ficou certo que aquela
Congregação estava sob a jurisdição do Abade Geral.
Os esforços que se fizeram para convocar o Capítulo Geral
de todos os Abades não obtiveram feliz resultado. Sendo assim, o primeiro
Capítulo Geral, depois da Revolução Francesa, só foi celebrado el 1880. Os seus
participantes foram escolhidos pela S. Sé.
No ano 1892, no capítulo da união das três Congregações
da mais Estrita Observância[38], os
padres capitulares, livremente constituíram uma ordem autônoma: A Ordem dos
Cistercienses Reformados de B.M.V. de Trappa. Leão XIII, tendo em vista a impossibilidade
de reunir as duas Ordens, em 1892, atribuiu o nome de "Família
Cisterciense" às duas Ordens, e concede à Ordem dos Cistercienses
Reformados todos os privilégios da Ordem Cisterciense.
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17 fev 18 jun 18 out |
as festas dos Santos e em todas as solenidades, proceda-se do
mesmo modo que indicamos para o domingo exceto que, quanto aos salmos,
antífonas e lições, sejam ditos os que pertencem à própria festa; mantenha-se,
porém, a mesma disposição acima descrita.
29. Os abades dos
mosteiros restantes tinham-se reunido, já no século XIX, por diversas vezes, em
Capítulos Gerais e, em nosso século, por 3 vezes elaboraram Constituições para
o supremo governo da Ordem[39].
Nessa ocasião, vários mosteiros fundados fora da Ordem, e a Congregação de
Casamari se uniram à Ordem[40] e
várias fundações foram feitas em terras de Missão.
Depois da segunda guerra mundial os mosteiros das monjas
da Espanha e da Itália fizeram uma Federação de direito pontifício. Foi uma
obra de grande mérito, tanto no aspecto espiritual, como no aspecto material.
É necessário que se leve adiante este encargo a favor dos mosteiros e da Ordem.
Nasceu, assim, a nossa Ordem hodierna, que abrange uma
realidade bem complexa. É, por isso, muitíssimo necessário, no trabalho do
ajornamento, que primeiramente cada comunidade defina sua finalidade e encargos
com clareza e sinceridade. Uma tal especificação também redundará para a Ordem
em vitalidade e mútua compreensão.
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18 fev 19 jun 19 out |
a Santa Páscoa até Pentecostes, diga-se sem interrupção o
"Aleluia" tanto nos salmos como nos responsórios. De Pentecostes
até o início da Quaresma, diga-se todas as noites, mas somente com os seis últimos
salmos dos noturnos . Em todo domingo, fora da Quaresma, digam-se com
"Aleluia" os Cânticos, as Matinas, Prima, Terça, Sexta e Noa;
entretanto, as Vésperas sejam ditas com antífona. Quanto aos responsórios,
nunca são ditos com "Aleluia", a não ser de Páscoa até Pentecostes.
59. O monge que busca a
Deus seguindo a Cristo e desejando servi-Lo, ora freqüentemente. Nosso espírito
e nosso coração elevam-se às coisas de Deus pela meditação da Palavra de Deus
que se nos revela, e pela oração, em comum ou em particular, que responde à
Palavra de Deus. Podemos encontrar aí também uma fonte de inspiração para todos
os nossos atos e, ao mesmo tempo, verificar melhor a orientação da nossa vida e
retificá-la mais freqüentemente.
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19 fev 20 jun 20 out |
iz o Profeta: "Louvei-vos sete vezes por dia".
Assim, também nós realizaremos esse sagrado número, se, por ocasião das
Matinas, Prima, Terça, Sexta, Noa, Vésperas e Completas, cumprirmos os deveres
da nossa servidão; porque foi destas Horas do dia que ele disse:
"Louvei-vos sete vezes por dia". Quanto às Vigílias noturnas, diz da
mesma forma o mesmo profeta: "Levantava-me no meio da noite para louvar-vos".
Rendamos, portanto, nessas horas, louvores ao nosso Criador "sobre os
juízos da sua justiça", isto é, nas Matinas, Prima, Terça, Sexta, Noa,
Vésperas e Completas; e à noite, levantemo-nos para louvá-Lo.
60. Como a vocação
religiosa é uma graça de Deus, também a nossa capacidade de orar não procede de
nós, mas do Espírito Santo, no qual clamamos Abá, Papai[41].
Na recepção dos sacramentos e especialmente na celebração diária da Eucaristia,
essa vida da graça em nós é assiduamente alimentada e a nossa oração unida
sacramentalmente aos atos salvíficos do Cristo.
Mas os monges - como se depreende de toda a tradição
monástica e dos ensinamentos da Igreja - são chamados, de modo especial, a
prolongar na Igreja a oração do Cristo, tanto na celebração da missa e do
ofício divino, que devem ocupar o primeiro lugar em suas vidas[42],
como também nas outras formas de oração, visto que a oração lhes deve embeber
toda a vida.
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20 fev 21 jun 21 out |
á dispusemos a Ordem da Salmodia, dos Noturnos e das Matinas;
vejamos agora a das Horas seguintes. À Hora de Prima sejam ditos: três salmos
separadamente, não sob um só "Gloria", e o hino da mesma Hora, que
virá depois do versículo " Ó Deus, vinde em meu auxílio" e antes que
sejam começados os salmos. Terminados os três salmos, recitem-se uma lição, o
versículo, "Kyrie eleison", e façam-se as orações finais. Terça,
Sexta, e Noa sejam celebradas segundo a mesma ordem, isto é: versículo, hinos
de cada uma das Horas, três salmos, lição e versículo, "Kyrie
eleison" e as orações finais. Se a comunidade for grande, sejam os salmos
cantados com antífona; se for pequena, em tom direto. A sinaxe vespertina
consta de quatro salmos com antífonas; depois dos quais deve ser recitada uma
lição; em seguida o responsório, o ambrosiano, o versículo, o cântico do
Evangelho, a litania, a oração dominical e as orações finais. As Completas
compreendem a recitação de três salmos, que devem ser ditos em tom direto, sem
antífona; Depois deles, o hino da mesma Hora, uma lição, o versículo, o
"Kyrie eleison", a bênção e as orações finais.
61. Na celebração
eucarística o sacrifício de Cristo, oferecido por nós uma só vez na cruz, cada
dia se torna presente para nós. Aí, as ações humanas que cultuam a Deus
tornam-se um sinal eficaz dos atos do Cristo, de modo que o dom e a palavra de
Deus unem-se o mais profundamente possível à resposta do homem, pela ação de
graças e pelo louvor, para a glória de Deus e a santificação do homem. Todos os
ministérios da Igreja ordenam-se à celebração da Eucaristia, que é,
verdadeiramente, o centro de toda a liturgia e da vida cristã[43].
Também, em nossa vida ela deve ocupar o primeiro lugar, pois é o sacramento da
piedade, sinal da unidade, vínculo da caridade, convívio pascal, no qual se
recebe o Cristo; a mente torna-se plena da graça e recebemos o penhor da glória
futura. A adoração de Cristo presente na Eucaristia nos dá uma grande ajuda
para que a participação ativa no sacrifício de Cristo se estenda mais
eficazmente por todo o dia.
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21 fev 22 jun 22 out |
iga-se o versículo: "Ó Deus, vinde em meu auxílio;
apressai-vos, Senhor, em socorrer-me", o Glória, e depois o Hino de cada
uma das Horas . Em seguida, na hora de Prima do domingo, devem ser ditas quatro
divisões do salmo centésimo décimo oitavo; nas demais Horas, isto é, Terça,
Sexta e Noa digam-se três divisões do referido salmo centésimo décimo oitavo.
Na Prima da Segunda feira, digam-se três salmos, a saber: o primeiro, o
segundo e o sexto. E assim em cada dia, até o domingo, digam-se na Prima, por
ordem, três salmos até o décimo nono; de tal modo que sejam divididos em dois o
salmo nono e o décimo sétimo. E faça-se assim, para que sempre se comecem as
Vigílias do domingo pelo vigésimo.
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22 fev 23 jun 23 out |
a Terça, Sexta e Noa da segunda-feira, digam-se as nove
divisões que restam do salmo centésimo décimo oitavo, três em cada Hora.
Percorrido, portanto, o salmo centésimo décimo oitavo nos dois dias - domingo
e segunda-feira, já na Terça, Sexta e Noa da terça-feira, salmodiam-se três
salmos de cada vez, do centésimo décimo nono até o centésimo vigésimo sétimo,
isto é, nove salmos. Repitam-se sempre esses salmos pelas mesmas Horas até o
domingo, conservando-se de maneira uniforme e todos os dias a disposição dos
hinos, bem assim como a das lições e versículos; e, assim sendo, comece-se
sempre no domingo com o centésimo décimo oitavo.
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23 fev 24 jun 24 out |
s Vésperas sejam cantadas diariamente pela modulação de
quatro salmos. Esses salmos vão do centésimo nono até o centésimo quadragésimo
sétimo, excetuados alguns que dentre esses foram tirados para outras Horas,
isto é, do centésimo décimo sétimo ao centésimo vigésimo sétimo, mais o
centésimo trigésimo terceiro e o centésimo quadragésimo segundo; todos os
demais devem ser ditos nas Vésperas. Como, porém, ficam faltando três salmos,
devem ser divididos os mais longos dentre os supracitados, isto é, o centésimo
trigésimo oitavo, o centésimo quadragésimo terceiro e o centésimo quadragésimo
quarto. O centésimo sexto, por ser pequeno, seja unido ao centésimo décimo quinto.
Distribuída, pois, a ordem dos salmos vespertinos, quanto ao restante - isto é,
a lição, o responsório, o hino, o versículo e o cântico - proceda-se como determinamos
acima. Nas Completas, repitam-se todos os dias os mesmos salmos: o quarto, o
nonagésimo e o centésimo trigésimo terceiro.
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24 fev, se for
bissexto; senão, une-se ao
precedente 25 jun 25 out |
isposta a ordem da salmodia diurna, distribuam-se igualmente
todos os salmos que restam, pelas sete Vigílias da noite, partindo-se,
naturalmente, os que, dentre eles forem mais longos e estabelecendo-se doze
para cada noite.
Advertimos
de modo especial que, se porventura essa distribuição dos salmos não agradar a
alguém, que ordene como achar melhor; mas, seja como for, atenda a que seja
salmodiado cada semana, integralmente, o saltério de cento e cinqüenta salmos e
que se comece sempre, de novo, nas Vigílias do domingo, porque os monges que,
no decurso da semana, recitam menos do que o saltério com os cânticos costumeiros
revelam ser por demais frouxo o serviço de sua devoção. Pois lemos que os nossos
santos Pais realizavam, corajosamente, em um só dia isso que oxalá nós
indolentes, cumprimos no decorrer de toda uma semana.
62. Na renovação do Ofício
divino, que se acha em curso e deve ser completada, estejamos atentos
primeiramente à unidade e à harmonia entre a liturgia e as outras faces da vida
religiosa. Embora a liturgia seja "o ápice ao qual tende toda a ação da
Igreja e ao mesmo tempo a fonte de onde emana toda a sua força"[44], ela
não esgota toda a ação da Igreja e do mosteiro. Por isso, a vida cotidiana deve
favorecer a frutuosa celebração da liturgia e, por seu lado, a estrutura e as
formas litúrgicas devem ser tais que alimentem e vivifiquem a vida diária.
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24 (25) fev 26 jun 26 out |
remos estar em toda parte a presença divina e que "os
olho do Senhor vêem em todo lugar os bons e os maus". Creiamos nisso
principalmente e sem dúvida alguma, quando estamos presentes ao Ofício
Divino. Lembremo-nos, pois, sempre, do que diz o Profeta: "Servi ao Senhor
no temor". E também: "Salmodiai sabiamente". E ainda:
"Cantar-vos-ei em face dos anjos". Consideremos, pois, de que maneira
cumpre estar na presença da Divindade e de seus anjos; e tal seja a nossa
presença na salmodia, que nossa mente concorde com nossa voz.
63. Pertence
necessariamente à vida de oração também a lectio divina, que exige uma idônea
formação e certas condições para ser verdadeiramente uma leitura orante,
tranqüila e assídua. Possuindo tais qualidades, a lectio divina ajuda
eficazmente o monge para que se torne sempre mais um "homem de Deus",
consciente da Sua presença e conhecendo com clareza a sua vontade.
A observância do silêncio fomenta singularmente o
espírito de oração. Observando fielmente as horas de silêncio, nossos corações
preparam-se para melhor ouvir a Palavra de Deus e vivê-la mais generosamente.
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25 (26) fev 27 jun 27 out |
e queremos sugerir alguma coisa aos homens poderosos, não
ousamos fazê-lo a não ser com humildade e reverência; quanto mais não se
deverá empregar toda a humildade e pureza de devoção para suplicar ao Senhor
Deus de todas as coisas? E saibamos que seremos ouvidos, não com o muito falar,
mas com a pureza do coração e a compunção das lágrimas. Por isso, a oração
deve ser breve e pura, a não ser que, por ventura, venha a prolongar-se por um
afeto de inspiração da graça divina. Em comunidade, porém, que a oração seja
bastante abreviada e, dado o sinal pelo superior, levantem-se todos ao mesmo
tempo.
64.
A unidade da vida manifesta-se na harmônica fusão de seus elementos[45]. A
vida litúrgica de nossos mosteiros seja um facho que ilumine e aqueça toda a igreja
local. As celebrações litúrgicas convidem a uma ativa participação os cristãos
da vizinhança e ofereçam ao povo cristão uma fonte exuberante para a sua vida
espiritual.
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26 (27) fev 28 jun 28 out |
e a comunidade for numerosa, sejam escolhidos, dentre os seus
membros, irmãos de bom testemunho e de vida monástica santa, e constituídos
Decanos; empreguem sua solicitude em tudo o que diz respeito às suas
decanias, conforme os mandamentos de Deus e os preceitos do seu Abade. Que os
Decanos eleitos sejam tais que possa o Abade, com segurança, repartir com eles
o seu ônus ; e não sejam escolhidos pela ordem na comunidade, mas segundo o
mérito da vida e a doutrina da sabedoria. Se algum dentre os Decanos, acaso
inchado por qualquer soberba, for julgado merecedor de repreensão, seja
repreendido uma, duas, até três vezes; se não quiser emendar-se seja
destituído e ponha-se em seu lugar outro que seja digno. O mesmo determinamos a
respeito do Prior.
77. Tendo delineado os
traços específicos de nossa Ordem em sua existência concreta e explanado,
resumidamente, os valores fundamentais da vida Cisterciense, resta-nos
considerar a organização prática da vida e a adequada estrutura jurídica de
cada comunidade e de cada congregação, como também de toda a nossa Ordem. Não
basta, com efeito, apresentar apenas os ensinamentos sobre os nossos fins e
valores, mas devemos procurar também as razões práticas e jurídicas que ordenam
a vida de nossas comunidades e as orientam para alcançar os seus fins.
Julgamos conveniente expor, a seguir, somente os
elementos e princípios que nos parecem necessários para a solução adequada dos
problemas atuais, deixando às Constituições da Ordem e congregações e aos
estatutos locais[46]
a organização mais detalhada da vida. Exporemos, portanto, em primeiro lugar,
os aspectos fundamentais de toda organização jurídica e do exercício da autoridade.
Falaremos depois, especialmente, dos princípios para o governo dos mosteiros,
congregações e da Ordem, acrescentando, finalmente, algo sobre as relações
entre nossa Ordem e as outras Ordens monásticas e os órgãos da lgreja.
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27 (28) fev 29 jun 29 out |
urma cada um em uma cama. Tenham seus leitos de acordo com o
modo de viver monástico e conforme o abade distribuir. Se for possível, durmam
todos num mesmo lugar; se, porém, o número não o permitir, durmam aos grupos de
dez ou vinte, em companhia de monges mais velhos que sejam solícitos para com
eles. Esteja acesa nesse recinto uma candeia sem interrupção, até o amanhecer.
Durmam vestidos e cingidos com cintos ou cordas, mas de forma que não tenham,
enquanto dormem, as facas a seu lado, a fim de que não venham elas a ferir,
durante o sono, quem está dormindo; e de modo que estejam os monges sempre
prontos e, assim, dado o sinal, levantando-se sem demora, apressem-se mutuamente
e antecipem-se no Ofício Divino, porém com toda gravidade e modéstia. Que os
irmãos mais jovens não tenham leitos juntos, mas intercalados com os dos mais
velhos. Levantando-se para o Ofício Divino chamem-se mutuamente, para que não
tenham desculpas os sonolentos; façam-no, porém, com moderação.
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28 (29) fev 30 jun 30 out |
e houver algum irmão teimoso ou desobediente, soberbo ou
murmurador, ou em algum modo contrário à santa Regra, e desprezador dos
preceitos dos seus superiores, seja ele admoestado, conforme o preceito de
nosso Senhor, a primeira e a segunda vez, em particular pelos seus superiores.
Se não se emendar, seja repreendido publicamente, diante de todos. Se porém,
nem assim se corrigir sofra a excomunhão, caso possa compreender o que seja
essa pena. Se, entretanto, está de ânimo endurecido, seja submetido a castigo
corporal.
78. Tudo o que se seque,
aplica-se também aos nossos mosteiros femininos, exceto o que, pela própria
natureza do assunto, lhes for contrário[47]. As
monjas de nossa Ordem não constituem uma "segunda ordem" do lado da
"primeira", dos monges, mas são integralmente de uma mesma Ordem Cisterciense.
Seus mosteiros são verdadeiramente independentes, embora no foro jurisdicional
dependam, algumas vezes, do Abade imediato ou do Bispo. Além disso, muitos
desses mosteiros fazem parte de nossas congregações, regendo-se por leis
semelhantes às dos monges. Por isso, deve ser promovido, eficaz e
constantemente, a participação gradativa das monjas nas decisões que dizem
respeito à sua vida e mesmo à própria congregação e à toda a Ordem.
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1 mar 1 jul 31 out |
medida tanto da
excomunhão como da disciplina, deve regular-se segundo a espécie da falta, e
esta espécie das faltas está sob critério do julgamento do abade. Se algum
irmão incorrer em faltas mais leves, seja privado da participação à mesa. Será
este o proceder de quem está privado da mesa: não entoe salmo, nem antífona no
oratório, nem recite lição até que tenha sido dada a devida satisfação. Receba
sozinho a sua refeição depois da refeição dos irmãos; de modo que, por exemplo,
se os irmãos vão tomar a refeição à hora sexta, aquele irmão o fará à hora nona;
se os irmãos à nona, ele à hora de Vésperas, até que tenha obtido o perdão por
conveniente satisfação.
81. Embora a comunidade
monástica deva fundamentar-se, primeiramente, no amor do Cristo e no amor
fraterno, como também na aceitação livre dos fins e encargos do próprio
mosteiro, ela necessita, no entanto, como sociedade estável de homens com um
mesmo fim determinado, de uma firme estrutura, isto é, de uma reta organização
feita por leis e pelas normas dos superiores. Só desse modo asseguram-se a estabilidade
e a continuidade da vida, as forças de todos os membros são orientadas mais eficazmente
para o fim comum e a vida e as atividades de todos se coordenam em paz. Além
das leis e outras prescrições escritas que regulamentam os aspectos mais
fundamentais da vida é indispensável também a autoridade pessoal do abade e
dos oficiais para que possam ser determinados, com responsabiIidade e rapidez,
os modos concretos de agir que, entre as tão diversas e mutáveis condições da
vida moderna, não podem ser determinadas por leis minuciosas. Para estatuir
tais leis e normas, tenham grande atuação os capítulos, conselhos e outros
órgãos representativos da comunidade e, em alguns casos determinados pelo
direito, manifestem-se pelo voto deliberativo. Esses órgãos devem também
coadjuvar os superiores e oficiais nas decisões concretas que, de direito,
cabem só ao abade ou a um determinado oficial, sem, de modo algum, lhes tirar ou
diminuir a responsabilidade e o direito de decidir.
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2 mar 2 jul 1 nov |
ue seja suspenso da mesa e também do oratório o irmão culpado
de faltas mais graves. Que nenhum irmão se junte a ele em nenhuma espécie de
relação, nem para lhe falar. Esteja sozinho no trabalho que lhe for
determinado, permanecendo no luto da penitência, ciente daquela terrível
sentença do Apóstolo que diz: "Este homem foi assim entregue à morte da carne
para que seu espírito se salve no dia do Senhor". Faça a sós a sua
refeição na medida e na hora que o Abade julgar convenientes, não seja
abençoado por ninguém que por ele passe, nem também a comida que lhe é dada.
82. A autoridade das leis e
dos superiores no mosteiro tem muitos traços comuns com a legítima autoridade
da sociedade civil, mas não lhe pode ser perfeitamente equiparada. Em primeiro
lugar, a autoridade exercida no mosteiro tem sempre um caráter eclesial,
proveniente da aprovação da Regra e das Constituições pela Santa Sé e ainda da
aceitação de nossa profissão pela Igreja[48].
Nosso amor ao mosteiro nasce, pois, do nosso amor à Igreja, a quem nos unimos
mais intimamente pela profissão e quanto mais a amarmos, maior se tornará o
nosso amor ao mosteiro. Além disso, a autoridade no mosteiro tem também um
caráter profundamente religioso, visto que a obediência monástica não se
enraíza em uma obrigação ou em motivos humanos, mas na nossa própria vocação e
na voluntária dedicação ao serviço da Vontade de Deus. Aqueles que na comunidade
têm os poderes de legislar ou de ordenar são como instrumentos, para que se
conheça concretamente nessa comunidade, a Vontade de Deus. Assim, como não é
lícito identificar a obediência a Deus simplesmente com a obediência a um
homem, também na vida monástica obedecemos, no seu verdadeiro sentido, aos que
fazem as vezes do Cristo e a obediência prestada aos superiores faz parte do
serviço do Senhor[49].
Embora a autoridade, na comunidade monástica, tenha
raízes mais profundas do que a autoridade nas sociedades civis, não devem ser
menosprezados ou rejeitados os novos métodos e experiências dessas sociedades
e sim examinados com espírito de abertura. Muitíssimas vezes, nos diversos
movimentos sociais ou nas formas de governo, encontra-se algo de útil que nos
pode ser de proveito para a adequada estruturação da vida monástica hodierna[50].
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3 mar 2 jul 2 nov |
e algum irmão ousar juntar-se, de qualquer modo, ao irmão
excomungado sem ordem do Abade, ou de falar com ele ou mandar-lhe um recado,
aplique-se-lhe o mesmo castigo de excomunhão.
83. Devem ser
cuidadosamente respeitados, na estruturação e na legislação da vida monástica,
corno também no exercício da autoridade pessoal, os princípios sociológicos
fundados no direito natural que, nos últimos tempos, foram mais claramente elucidados
e são ensinados pelo Magistério da Igreja com grande insistência. Entre eles,
são para nós, de máxima importância, os princípios correlativos do personalismo
e da solidariedade, como também os da subsidiariedade e do legítimo pluralismo
no seio da necessária unidade.
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4 mar 4 jul 3 nov |
uide o Abade com toda a solicitude dos irmãos que caírem em
faltas, porque "não é para os sadios que o médico é necessário, mas para
os que estão doentes". Por isso, como sábio médico, deve usar de todos os
meios, enviar "simpectas", isto é, irmãos mais velhos e sábios que,
em particular, consolem o irmão flutuante e o induzam a uma humilde satisfação,
o consolem "para que não seja absorvido por demasiada tristeza", mas,
como diz ainda o Apóstolo, "confirme-se a caridade para com ele", e
rezem todos por ele.
O Abade
deve, pois, empregar extraordinária solicitude e deve empenhar-se com toda
sagacidade e indústria, para que não perca alguma das ovelhas a si confiadas.
Reconhecerá, pois, ter recebido a cura das almas enfermas, e não a tirania
sobre as sãs; tema a ameaça do profeta, através da qual Deus nos diz: "o
que víeis gordo assumíeis e o que era fraco lançáveis fora". Imite o pio
exemplo do bom pastor que, deixando as noventa e nove ovelhas nos montes, saiu
a procurar uma única ovelha que desgarrara, de cuja fraqueza a tal ponto se
compadeceu, que se dignou colocá-la em seus sagrados ombros e assim trazê-la
de novo ao aprisco.
84. O princípio do
personalismo, princípio fundamental da doutrina social católica, ensina que o
sujeito e o fim de todas as instituições sociais é e deve ser a pessoa humana[51]. Por
isso, todas as nossas estruturas jurídicas devem, antes de tudo, estar a
serviço desse fim, para que os nossos monges possam alcançar, mais plena e
facilmente, sua perfeição e desincumbir-se dos encargos de sua vocação melhor e
com mais facilidade. A dignidade sagrada da pessoa humana[52]
baseia-se na sua natureza e, ainda mais, na sua vocação sobrenatural e os
direitos inalienáveis que daí derivam[53]
devem ser também reconhecidos e respeitados na legislação e no governo do mosteiro
e da Ordem.
Donde se conclui que as leis e as ordens dos superiores
não devem manter os monges numa dependência infantil, mas levá-los ao uso da
madura liberdade cristã e de uma responsável participação no governo para o bem
de toda a comunidade, assim como valorizar a competência pessoal de cada monge
e dar ampla liberdade às sábias iniciativas.
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5 mar 5 jul 4 nov |
e algum irmão freqüentes vezes corrigido por qualquer culpa
não se emendar, nem mesmo depois de excomungado, que incida sobre ele uma
correção mais severa, isto é, use-se o castigo das varas. Se nem assim se corrigir,
ou se por acaso, o que não aconteça, exaltado pela soberba, quiser mesmo
defender suas ações, faça então o Abade como sábio médico: se aplicou as
fomentações, os ungüentos das exortações, os medicamentos das divinas
Escrituras e enfim a cauterização da excomunhão e das pancadas de vara e vir
que nada obtém com sua indústria, aplique então o que é maior: a sua oração e a
de todos os irmãos por ele, para que o Senhor, que tudo pode, opere a salvação
do irmão enfermo. Se nem dessa maneira se curar, use já agora o Abade o ferro
da amputação, como diz o Apóstolo: "Tirai o mal do meio de vós" e
também: "Se o infiel se vai, que se vá", a fim de que uma ovelha
enferma não contagie todo o rebanho.
85. Não se segue, porém,
que por causa do princípio do personalismo possamos entregar-nos ao vício do
individualismo, pois o princípio correlativo ao personalismo é o da
solidariedade. A pessoa humana, por sua natureza, necessita de vida social[54] e,
ainda mais, tem uma vocação sobrenatural essencialmente comunitária. Deus, com
efeito, não quis salvar e santificar os homens individualmente, sem nenhum
liame mútuo, mas sim constitui-los em um só povo, para que, vinculados pelo
Espírito, se congregassem no Corpo de Cristo[55].
Nossa vida cenobítica deve exprimir, de modo especial, essa natureza
comunitária da salvação e da vida crista e manifestá-la ao mundo.
A adequada legislação e o governo monástico muito
contribuirão para a instituição e consolidação dessa vida de solidariedade se,
em primeiro lugar, promoverem o acordo de todos com referência a seus fins e
valores, coordenarem as forças para a realização dos fins comuns e procurarem
criar formas adequadas e cativantes dessa vida de família. Em espírito de
solidariedade, receba cada monge, de boa vontade, e com alegria, os encargos
que lhe forem confiados, mesmo se, às vezes, não lhe agradarem, mas para servir
os irmãos e ao bem comum.
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6 mar 6 jul 5 nov |
irmão que sai do
mosteiro por culpa própria, se quiser voltar, prometa, antes, uma completa
emenda do vício que foi a causa de sua saída, e então seja recebido no último
lugar, para que assim se prove a sua humildade. Se de novo sair, seja assim
recebido até três vezes, já sabendo que depois lhe será negado todo caminho de
volta.
86. O princípio de
subsidiariedade ordena as relações entre cada pessoa e a comunidade e também
entre comunidades maiores e menores. Ele estabelece que a autoridade superior,
da comunidade maior, deve deixar nas mãos dos inferiores tudo o que estes podem
realizar com eficiência e, muitíssimas vezes, com superioridade; e onde os
inferiores não se bastam ou se mostram negligentes no seu dever, deve
oferecer-lhes reforço e ajuda. Desse modo, é preservada a vitalidade e a
responsabilidade dos inferiores e a autoridade superior pode, mais facilmente,
desincumbir-se do seu múnus próprio, que é de coordenar e de dar a decisão
final, quando necessário[56].
Isto vale, no nosso caso, tanto para as comunidades
locais como para as congregações e a Ordem toda. No mosteiro, portanto, compete
ao superior incentivar as sábias iniciativas e responsabilidades pessoais dos
monges e dos oficiais e orientá-las para o bem comum[57]. E
as autoridades das congregações e da Ordem desempenharão plenamente o seu
múnus, respeitando a legítima liberdade, os trabalhos próprios dos mosteiros
e congregações, oferecendo-lhes auxílio concreto que lhes permitam atingir,
mais fácil e seguramente, seus fins; além disso, procurarão elaborar os propósitos
e planos de conjunto, que excedem as capacidades individuais, mas concernem ao
bem de todos.
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7 mar 7 jul 6 nov |
ada idade e cada inteligência deve ser tratada segundo
medidas próprias. Por isso, os meninos e adolescentes ou os que não podem
compreender que espécie de pena é, na verdade, a excomunhão, quando cometem alguma
falta, sejam afligidos com muitos jejuns ou castigados com ásperas varas, para
que se curem.
87. O princípio do legítimo
pluralismo, dentro de necessária unidade, deduz-se claramente do que procede.
Deve, pois, ser reconhecido um legítimo pluralismo, isto é, a diversidade dos
membros na unidade da comunidade[58] e
não é Iícito suprimir, em nome da unidade, a variedade dos talentos e dos
caracteres. Também no mosteiro são diversos os carismas e cada um tem o seu próprio
dom, mas a sua manifestação é dada a cada um para a utilidade de todos. A
diversidade dos membros serve ao bem de todo o corpo e cada um deles só pode
participar da plenitude do Espírito pela comunhão dos diversos dons.
O mesmo se diga de nossos mosteiros e congregações, que
diferem bastante entre si, por sua evolução histórica, pela índole própria de
seus membros, pelas circunstâncias sociais e culturais, pelas obrigações e
encargos exercidos conforme as diversas necessidades da igreja local.
Essas diferenças, porém, não são obstáculos que impessam
que os membros se congreguem numa unidade viva, mas, ao contrário, a
diversidade dos dons pode proporcionar maior força e vitalidade a toda a Ordem,
se existir o espírito de comunidade e a vontade de cooperação[59].
O equilíbrio entre o pluralismo e a unidade, que pode
ser realizado, depende em grande parte de uma apta legislação e do reto
exercício da autoridade. A segurança de se orientar para seus fins próprios,
por meio de leis estáveis, a determinação precisa do que compete a cada um, a
clara exposição dos fins e propósitos comuns, a criação de formas práticas de
auxílio mútuo - tudo isso e outras coisas semelhantes incitarão a abraçar e a fomentar
alegremente a união. Igualmente será muito proveitoso que as autoridades das
congregações e da Ordem não considerem as diferenças e as experiências próprias
de cada comunidade com suspeita e desconfiança, mas procurem desenvolver e
empregar para a utilidade de todos o que nelas houver de bom e válido. Por sua
vez, as comunidades da Ordem reconheçam as exigências da unidade e estejam
prontas a promovê-Ia e a cooperar, com sinceridade e confiança, com as outras
comunidades da Ordem e com os órgãos da autoridade superior.
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8 mar 8 jul 7 nov |
eja escolhido para Celeireiro do mosteiro, dentre os membros
da comunidade, um irmão sábio, maduro de caráter, sóbrio, que não coma muito,
não seja orgulhoso, nem turbulento, nem injuriador, nem tardo, nem pródigo,
mas temente a Deus; que seja como um pai para toda a comunidade. Tome conta de
tudo; nada faça sem ordem do Abade. Cumpra o que for ordenado. Não entristeça
seus irmãos. Se algum irmão, por acaso, lhe pedir alguma coisa
desarrazoadamente, não o entristeça desprezando-o, mas negue, razoavelmente,
com humildade, ao que pede mal. Guarde a sua alma, lembrando-se sempre daquela
palavra do Apóstolo: "Quem tiver administrado bem, terá adquirido para si
um bom lugar". Cuide com toda solicitude dos enfermos, das crianças, dos
hóspedes e dos pobres, sabendo, sem dúvida alguma, que deverá prestar contas
de todos esses, no dia do juízo. Veja todos os objetos do mosteiro e demais
utensílios como vasos sagrados do altar. Nada negligencie. Não se entregue à
avareza, nem seja pródigo e esbanjador dos bens do mosteiro; mas faça tudo com
medida e conforme a ordem do Abade.
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9 mar 9 jul 8 nov |
enha antes de tudo humildade e não possuindo a coisa com que
atender a alguém, entregue-lhe como resposta uma boa palavra, conforme o que
está escrito: "A boa palavra está acima da melhor dádiva". Mantenha
sob seus cuidados tudo o que o Abade determinar, não presuma, porém, a respeito
do que lhe tiver proibido. Ofereça aos irmãos a parte estabelecida para cada
um, sem arrogância ou demora, a fim de que não se escandalizem, lembrado da
palavra divina sobre o que deve merecer "quem escandalizar um destes
pequeninos". Se a comunidade for numerosa, sejam-lhe dados auxiliares com
a ajuda dos quais cumpra, com o espírito em paz, o ofício que lhe foi confiado.
Às horas convenientes seja dado o que deve ser dado e pedido o que deve ser
pedido, para que ninguém se perturbe nem se entristeça na casa de Deus.
100. O Abade, reservando-se
a suprema direção e inspeção, confie a oficiais competentes e a outros irmãos
dignos, os encargos econômicos e administrativos, a cotidiana distribuição dos
trabalhos e negócios (pequenas permissões, distribuição dos trabalhos, a
correspondência, a recepção dos hóspedes e outros encargos) a fim de permanecer
livre para cumprir a sua própria obrigação.
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10 mar 10 jul
9 nov |
uanto aos utensílios do mosteiro em ferramentas ou vestuário,
ou quaisquer outras coisas, procure o Abade irmãos de cuja vida e costumes
esteja seguro e, como julgar útil, consigne-lhes os respectivos objetos para
tomar conta e recolher. Mantenha o abade um inventário desses objetos, para
que saiba o que dá e o que recebe, à medida que os irmãos se sucedem no
desempenho do que lhes for incumbido. Se algum deixar as coisas do mosteiro
sujas ou as tratar negligentemente, seja repreendido; se não se emendar, seja
submetido à disciplina regular.
38. Nossa Ordem, em sua
existência concreta, como o dissemos, manifesta o pluralismo, uma grande
diversidade no seu seio, mas uma diversidade cheia de harmonia e de unidade.
Essa unidade não consiste apenas na finalidade comum a
todos os membros da Ordem, mas também na aceitação dos múltiplos meios usados
para atingir esse fim. Tais meios não devem ser considerados como elementos
separados, mas integrados numa síntese vital.
Nesta Declaração, é claro, não pretendemos elaborar uma
espécie de tratado da vida monástica que prometemos viver na Ordem
Cisterciense. Apenas expomos alguns pontos que podem e devem inspirar e
orientar atualmente nossas atividades e instituições[60].
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11 mar 11 jul
10 nov |
specialmente este vício deve ser cortado do mosteiro pela
raiz; ninguém ouse dar ou receber alguma coisa sem ordem do Abade, nem ter nada
de próprio, nada absolutamente, nem livro, nem tabuinhas, nem estilete,
absolutamente nada, já que não lhes é lícito ter a seu arbítrio nem o próprio
corpo nem a vontade; porém, todas as coisas necessárias devem esperar do pai do
mosteiro, e não seja lícito a ninguém possuir o que o Abade não tiver dado ou
permitido. Seja tudo comum a todos, como está escrito, nem diga nem tenha
alguém a presunção de achar que alguma coisa lhe pertence. Se for surpreendido
alguém a deleitar-se com este péssimo vício, seja admoestado primeira e segunda
vez, se não se emendar, seja submetido à correção.
50. Não abraçamos a pobreza
para ter a experiência da falta dos bens materiais ou por desprezo deles, mas para
adquirir a liberdade dos filhos de Deus e usarmos deste mundo como se deIe não
usássemos[61],
sabendo que a figura deste mundo é transitória[62].
Desejamos ser pobres com o Cristo[63],
renunciando à posse e à procura das riquezas. Somos, deste modo, também verdadeiros
discípulos da Igreja primitiva, onde ninguém dizia possuir algo, mas tudo lhes
era comum[64].
Libertamo-nos, assim, das preocupações materiais para que o nosso coração
esteja onde se acha o nosso tesouro, em e com o Cristo e a Igreja.
51. No entanto, enquanto
vivemos neste corpo, é-nos preciso usar das coisas deste mundo. O espírito de
pobreza, porém, que é fruto do voto, deve ordenar o uso das coisas para nosso
proveito e o do próximo observando o respeito devido às criaturas. Façamos,
portanto, tudo para que a nossa renúncia redunde em benefício dos pobres de
hoje. Empreguemos os honorários adquiridos pelo nosso trabalho para auxiliar o
próximo e a Igreja. Para isso, é de máxima conveniência que nos entreguemos a
trabalhos tais que possamos conseguir, por meio deles, o necessário para a nossa
subsistência, para ajudarmos os outros[65] e
também para que possamos conservar a natureza criada sadia e intacta.
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12 mar 12 jul
11 nov |
omo está escrito, repartia-se para cada um conforme lhe era
necessário. Não dizemos, com isso, que deva haver acepção de pessoas, o que não
aconteça, mas sim consideração pelas fraquezas, de forma que quem precisar de
menos dê graças a Deus e não se entristeça por isso; quem precisar de mais,
humilhe-se em sua fraqueza e não se orgulhe por causa da misericórdia que
obteve. E, assim, todos os membros da comunidade estarão em paz. Antes de tudo,
que não surja o mal da murmuração em qualquer palavra ou atitude, seja qual for
a causa. Se alguém for assim surpreendido, seja submetido a castigo mais
severo.
15. Nossa Ordem é,
primariamente, uma certa realidade social. Compõe-se de várias Congregações,
mosteiros e de indivíduos vinculados por múltiplas relações. Cada um de nós
deve ter uma noção clara dessa realidade concreta, não apenas de sua estatística,
mas principalmente da vocação, dos encargos e das aspirações dos co-irmãos e
das circunstâncias concretas nas quais se vive esta vocação.
Existem, hoje, mosteiros Cistercienses na Europa, Ásia[66],
África[67]
e nas duas Américas[68],
com condições econômicas e culturais muito diferentes. Alguns se acham em
terras de missão, mas a maior parte no âmbito dos países que até agora viviam
- e muitos ainda vivem - da tradição cristã. Alguns dos nossos monges
pertencem a uma das chamadas igrejas orientais (os monges AEthiopici e
Abessini), mas também os outros diferem profundamente entre si pela língua,
mentalidade e educação próprias de cada região. Essa diversidade geográfica, cultural,
social e eclesiológica cria situações muito complexas. Em muitos casos, quase
cada comunidade tem seus problemas e desejos, que derivam de suas
circunstâncias especiais.
A Ordem Cisterciense mantém relações amistosas com
Comunidades de Amigos no que se refere aos nossos mosteiros atuais, ou
supressos, mas ainda existentes e com comunidades de Cistercienses que
professam a Confissão Augustana.
16. Mesmo quanto ao modo de
vida ao qual os diversos mosteiros se consideram chamados, há grande variedade.
Alguns mosteiros dedicam-se à vida chamada contemplativa, enquanto em outros
exercem-se várias obras de apostolado como a cura pastoral nas paróquias, a
educação da juventude nas escolas, diversas obras do ministério sacerdotal,
trabalhos científicos e culturais, etc. A maior parte dos membros da Ordem, nos
mosteiros masculinos, não só possui o sacerdócio, mas considera o exercício do
ministério sacerdotal parte integrante de sua vocação[69]. O
equilíbrio entre a oração e as atividades, a freqüência e a espécie de contatos
com o mundo extra-claustral, a importância das atividades a realizar fora do
mosteiro, a natureza e a forma de vida comum são tão diversamente concebidas
que, à primeira vista, só se patenteia a diversidade e a unidade se revela,
antes, nas aspirações e nos valores da conversação monástica do que na
organização uniforme da vida.
17. No entanto, a
diversidade existente na Ordem, mesmo em questões fundamentais, não é tal que
torne impossível ou quase supérfluo qualquer esforço comum de renovação. É
certo que, em muitas questões, como já dissemos, cada mosteiro e congregação
devem chegar às suas próprias conclusões práticas. Como, porém, possuímos
muitos valores provenientes da tradição comum e nos defrontamos com quase os
mesmos problemas da Igreja de hoje, no mesmo mundo atual que, aceleradamente se
unifica, a elaboração das soluções comuns em múltiplos setores da vida não
somente é útil, mas até bastante necessária. Problemas comuns postulam comuns
soluções:
a)
quanto aos valores essenciais
da vida religiosa, como são os votos emitidos conforme os conselhos
evangélicos, a vida comunitária, o trabalho e o apostolado, a vida litúrgica,
etc.;
b)
quanto aos valores fundamentais
da vida monástica, que se radicam na tradição espiritual da Ordem e na vida
espiritual hodierna da Igreja;
c)
quanto aos problemas gerais da
estrutura jurídica dos mosteiros, das Congregações e da Ordem, às questões das
atribuições dos superiores, da participação responsável de todos os membros nos
assuntos do mosteiro;
d)
quanto às formas de cooperação
e auxílio mútuo entre as comunidades, no que diz respeito aos pareceres e
planos comuns.
Tudo o que se estatui desse
modo geral, exige a ulterior aplicação a cada Congregação e mosteiro.
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13 mar 13 jul 12 nov |
ue os irmãos se sirvam mutuamente e ninguém seja dispensado
do ofício da cozinha, a não ser no caso de doença ou se se tratar de alguém
ocupado em assunto de grande utilidade; pois por esse meio se adquire maior
recompensa e caridade. Para os fracos, arranjem-se auxiliares, a fim de que
não o façam com tristeza; ainda conforme o estado da comunidade e a situação
do lugar, que todos tenham auxiliares. Se a comunidade for numerosa, seja o
Celeireiro dispensado da cozinha, e também, como dissemos, os que estiverem
ocupados em assuntos de maior utilidade. Os demais sirvam-se mutuamente na
caridade. O que vai terminar sua semana faça, no sábado, a limpeza; lavem as
toalhas com que os irmãos enxugam as mãos e os pés; ambos, tanto o que sai como
o que entra, lavem os pés de todos. Devolva aquele ao Celeireiro os objetos do
seu ofício, limpos e perfeitos; entregue-os outra vez o Celeireiro ao que
entra, para que saiba o que dá e o que recebe.
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14 mar 14 jul
13 nov |